Existe no mercado financeiro internacional um indicador que mede, a cada instante, a percepção de risco dos investidores em relação a um determinado emissor de títulos de dívida (um país ou uma empresa): o spread de um Credit Default Swap – ou CDS.

O CDS é um instrumento pertencente à categoria dos derivativos de crédito que tem como função servir de seguro contra a inadimplência. Parece complicado, mas é bem simples: em linhas gerais, um CDS cotado a 260 pontos-base representa um custo de US$ 260 mil por ano para que um investidor se proteja de uma perda de US$ 10 milhões. Quanto maior a probabilidade de um calote, maior o custo desse seguro.

Mas como o custo desse seguro afeta a economia de um país? No mercado primário – aquele em que emissores captam recursos para suas atividades –, um CDS mais elevado representa um custo de captação maior, na forma de juros mais altos a serem pagos por emissores aos investidores. No mercado secundário, em que investidores compram e vendem títulos de dívida, o aumento do CDS significa queda nos preços dos papéis, trazendo retornos negativos.

Existe uma relação direta entre o CDS e a taxa de juros requerida por investidores para investir em ativos emitidos por países e empresas. Nada mais natural: conforme aumenta a percepção do risco associado a um devedor, mais caro se torna o capital a ele oferecido.

Pois bem: os 260 pontos-base mencionados anteriormente são exatamente o custo do CDS brasileiro (para prazo de cinco anos) observado no mercado internacional ao final do último mês de junho. Com algumas flutuações, o CDS brasileiro tem aumentado bastante desde o início deste ano, quando era negociado em torno de 145 pontos-base. Como medida do risco brasileiro, o CDS tem nos mostrado com clareza a piora na percepção de investidores internacionais em relação à capacidade do Brasil de sair de sua prolongada crise política e fiscal.

Mais do que um indicador de eventual incapacidade de honrarmos nossas obrigações de dívida, o CDS representa uma opinião internacional sobre a qualidade da gestão pública, o compromisso com reformas e o potencial de crescimento do Brasil.

Como estancar essa deterioração? Não há mágica de curto prazo ou solução imediata vinda do setor externo para nos salvar. O remédio para nossos males (que têm impacto financeiro pesado no bolso de todos nós) é constituído por boa gestão pública, robustecimento das instituições republicanas, busca e manutenção do equilíbrio fiscal e foco no crescimento econômico. No CDS brasileiro, ainda estamos longe dos níveis observados há apenas três anos, quando o indicador atingiu mais de 500 pontos-base.

Mas, se não houver mudança de rumo em breve, caminharemos para esse patamar ainda no último trimestre de 2018, o que reduzirá ainda mais a margem de manobra do próximo presidente da República. Os próximos meses serão decisivos para respondermos coletivamente à pergunta: que país queremos ser?

Mauro Miranda é presidente da CFA Society Brazil