A Justiça Eleitoral compenetrou-se de que a emissão de títulos de eleitor em papel é algo ultrapassado na era digital. Ao analisar o pedido do Acre, que despenderia mais de R$ 200 milhões para imprimi-los, adotou aplicativo que permite ao usuário de celular, smartphone, tablet etc. dispensar o porte do documento. Tudo pode ser feito com o uso do mobile disponível. E os brasileiros se utilizam com intensidade crescente das modernas tecnologias.

A Justiça Eleitoral muito se vale disso. O Brasil realiza as suas eleições em tempo recorde, enquanto países considerados líderes mundiais patinam na apuração manual e não menos sujeita a suspeitas. É óbvio que poderia caminhar mais além, realizando pleitos inteiramente digitais. Seriam dispensadas a convocação de milhões de pessoas, a ocupação de milhares de edifícios, os custos elevadíssimos com alimentação, transporte e logística das mais difíceis.

Dia chegará em que a população se manifestará pela web. Sua vontade e sua soberania se exprimirão mais facilmente do que pelos antiquados e superados meios convencionais.

Poderíamos realizar pleitos inteiramente digitais. Seriam dispensadas a convocação de milhões de pessoas, a ocupação de milhares de edifícios, os custos elevadíssimos com transporte e logística

Enquanto isso, não custa aos demais braços do Judiciário também se atualizar. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, o maior do mundo, já adentrou na Digitalização 100%. Não se recebe mais papel em relação aos processos novos desde 2016. Hoje é possível que o magistrado decida rapidamente uma questão sem estar fisicamente no ambiente forense.

Não se justifica, portanto, lentidão no julgamento. Abreviar prazos, decidir de imediato quando a medida é de urgência: tudo contribui para que o equipamento público chamado Justiça atenda, efetivamente, aos anseios do destinatário.

O teletrabalho foi implementado no Judiciário bandeirante e, ao que se sabe, funcionou além das expectativas. É importante também intensificar o uso da teleconferência. Nada impede que o juiz consulte a parte pela internet. As teleconferências são parceiras da eficiência.

As delegações do chamado foro extrajudicial, os antigos cartórios, são especialistas em adoção de técnicas de gestão contemporânea. Como não têm por si o Erário, tiveram de criar fórmulas para oferecer um serviço a cada dia mais perfeito.

Enquanto corregedor-geral da Justiça, editei um provimento para que os delegatários de notas e de registros públicos pudessem realizar conciliação. Já realizam isso de maneira informal, mas com o aval da Corregedoria, à qual estão subordinados, essa missão desafogaria o Judiciário de milhões de lides desnecessárias e representariam excelente préstimo à cidadania.

A circuitaria neuronal de nossa juventude tem condições de extrair de todos os avanços científicos e tecnológicos a potencialidade ainda parcialmente ignorada para resolver problemas, e não para eternizá-los. É o que se espera das novas gerações, para que nossa Justiça se torne um serviço público realmente sustentável.