Em sua mais recente reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) confirmou o que já era aguardado pelo mercado e reduziu mais uma vez a meta para a Taxa Selic, desta vez para o patamar de 8,25%. O atual ciclo de afrouxamento monetário, iniciado há exatamente um ano, deve levar os juros a níveis historicamente baixos e talvez até sem precedentes na história econômica recente do país. Na ausência de percalços, veremos em 2018 a taxa básica da economia no patamar de 7,00%.

Se, por um lado, a queda nas taxas de juros é benéfica para os agentes econômicos deficitários (ainda que, como sabemos, o impacto positivo para o consumidor final seja reduzido), por outro esse movimento afeta adversamente os agentes econômicos superavitários, ou seja, os poupadores e investidores – incluindo os futuros aposentados.

É claro que as taxas de juros reduzidas fazem com que os preços dos ativos aumentem no mercado. Mas o que o ambiente de juros reduzidos traz de novo é a necessidade de que investidores (sejam eles individuais ou fundos) saiam da zona de conforto oferecida pelos títulos públicos federais e passem a buscar instrumentos financeiros que têm um elemento abominado por eles: risco.

O ambiente de juros reduzidos traz a necessidade de que investidores saiam da zona de conforto e passem a buscar instrumentos financeiros que têm um elemento abominado por eles: risco

E como os investidores terão acesso a maior rentabilidade e se sujeitarão a mais risco? Primeiro, com maior exposição a renda variável. Se no passado a Taxa Selic ou a Taxa DI apresentaram desempenho superior ao do Índice Bovespa em diversos períodos de análise, tal fenômeno se mostrará mais infrequente com taxas de juros reduzidas. É notável que a porção da carteira dos fundos de pensão brasileiros investida em renda variável tenha sofrido queda de 32,5% em 2010 para cerca de 17% atualmente. Sem exposição maior a risco (sistemático e não-sistemático), não haverá o maior retorno requerido para que as pensões dos aposentados no futuro sejam aquilo que eles esperam hoje.

Segundo, a maior exposição a risco virá do investimento em crédito privado, ou seja, em títulos de renda fixa emitidos por entidades que não a União. Quando títulos públicos federais oferecem remuneração superior à soma da inflação e do juro real, a análise de investimentos se torna um exercício trivial por conta da combinação de risco zero com alto retorno. Esse não será mais o caso. No novo ambiente, investidores terão de aceitar e lidar com o risco de crédito, em suas diferentes facetas: spread, downgrade e inadimplência.

Num ambiente de taxas de juros reduzidas, a poupança e a previdência das pessoas somente gerarão a riqueza que elas desejam se a exposição a risco for maior. Do contrário, o risco será outro: o de termos de aceitar uma redução no padrão de vida futuro por conta do menor ritmo de crescimento dos investimentos no presente.

Sonhamos com juros reduzidos, e eles chegaram. Mas chegou também a hora de tomar risco.