Mais um ano se inicia e aqueles que se interessam em ver um ambiente de investimentos cada vez mais robusto e eficiente no Brasil renovam suas esperanças. O ano de 2018 será importante porque, por meio das eleições, definiremos que tipo de país queremos ser e que modelo econômico queremos seguir como nação. E tal definição se fará refletir, claro, no nosso mercado de capitais e no ânimo dos investidores. Mas é interessante notar que, para além da discussão do cenário eleitoral, alguns males que nos rondam já de há muito se mostraram bastante presentes nas últimas semanas de 2017.

Um deles é o corporativismo. Como nos informa elegantemente o Caldas Aulete, o corporativismo é a “defesa dos interesses de uma categoria profissional em detrimento dos da sociedade como um todo”. E essa defesa passa a ser de uma espécie ainda mais peçonhenta quando potencialmente envolve interesses ocultos.

Veja-se o caso da correta intervenção determinada pela PREVIC no Postalis, o fundo de pensão dos Correios, e a subsequente reação corporativista da associação dos funcionários, que buscou na Justiça liminar contra tal intervenção. Os associados daquela instituição foram e continuam sendo os mais lesados pelo rombo bilionário causado por criminosos que comandaram o fundo de pensão. Mas no momento em que a intervenção acontece, a associação pede a suspensão do ato? É, no mínimo, curioso e intrigante. Difícil não imaginar os interesses por trás de tal manobra.

Privar os participantes de um fundo de pensão da melhor gestão possível é deixar de colocar o interesse do investidor em primeiro lugar, assim como propor que uma empresa tenha qualidade de gestão inferior é destruição de valor para a sociedade

Outro mal que insiste em nos assolar é o anacronismo ideológico. Quando se noticiou recentemente que a americana Boeing e a brasileira Embraer estavam em conversas sobre parcerias – o que incluiria, segundo observadores, uma potencial aquisição da empresa brasileira –, vozes do passado logo se manifestaram não apenas contrárias à participação da empresa estrangeira (que pode ou não ser positiva para a empresa) como também demandaram a “reestatização” da Embraer. Ora, é fato notório que o Estado brasileiro é incapaz de gerir uma empresa de maneira tão eficiente, produtiva e lucrativa como o setor privado consegue. Propor o retorno ao passado é sinal de ignorância econômica ou má-fé corporativa.

E o que esses males têm em comum? Ambos afetam diretamente os resultados obtidos por investidores, aqueles que colocam suas economias em risco na busca de um retorno adequado e de um conforto financeiro maior. Privar os participantes de um fundo de pensão da melhor gestão possível é deixar de colocar o interesse do investidor em primeiro lugar. Da mesma forma, propor que uma empresa tenha uma qualidade de gestão inferior é buscar destruição de valor para a sociedade.

Não tenho esperanças de que esses agentes compreendam esses conceitos. Mas o público deve identificar essas ações nocivas e denunciar seus proponentes pelo que eles são: forças do atraso e do obsoletismo trabalhando potencialmente na defesa de interesses escusos. Que o Brasil dê passos para se livrar delas em 2018.

As opiniões apresentadas nesta coluna não representam, necessariamente, a visão das entidades às quais o autor está associado.