Em tempos em que um país busca uma liderança que possa levar seu povo para a era do real desenvolvimento sustentável, enquanto não se encontrar esse líder, vive-se um momento de extrema aventura em todos os sentidos e fica difícil, muito difícil falar em economia verde e implementá-la.

Os aventureiros de plantão não estão em busca de soluções sustentáveis para os problemas do país, mas sim focados em criar frases de efeito para que possam tomar o poder e aí sim fazer o que quiserem, ou o que lhes vier à cabeça. Ou seja, o que sabem fazer melhor: corrupção!

O debate em curso no Brasil nada tem a ver com prover soluções para que o povo tenha melhor qualidade vida. Ao contrário, acirram-se as lutas ideológicas autodenominadas de esquerda e direita; umas mais amenas, outras mais radicais.
Momentos como este nos fazem buscar alento em praças – porém, há boas iniciativas para reforçar nossas energias para continuarmos em frente com a missão de promover os benefícios socioeconômico-ambientais que a economia verde nos proporciona.

Um primeiro alento é de uma iniciativa coordenada pelo professor Roberto Rodrigues, da FGV-Agro, que visa a uma plataforma de Estado para o agronegócio brasileiro e que promova a integração de toda a sua cadeia produtiva – mais do que isso: a integração total do campo com a cidade. Afinal de contas, o agronegócio brasileiro é o pilar econômico do Brasil.

A satisfação ainda é maior quando se constata que, sem sustentabilidade, não haverá competitividade para o agronegócio brasileiro. Pela primeira vez, constata-se que os expoentes do meio agro estão convencidos disso. Ufa! Que bom que a ficha caiu!

Um outro alento se refere às finanças sustentáveis. Num recente fórum promovido pelas autoridades de Luxemburgo no Brasil, foram apresentados casos de sucesso de uso do mecanismo de finanças sustentáveis. Luxemburgo possui uma bolsa de valores verde, na qual hoje se negocia a grande maioria dos green bonds emitidos. Entre eles estão os casos das brasileiras Suzano (a pioneira) e da BRF (ao menos um bom exemplo). Exemplos como esse devem ser seguidos em breve por outras empresas.

Forte alento vem dos enormes esforços do Banco Mundial, do Fundo Verde da ONU e da Caixa no sentido de criar um mecanismo para financiar a implantação de eficiência energética nos 60 maiores consumidores de eletricidade no Brasil, que consomem cerca de 45% de toda a eletricidade produzida no país.

Falta ainda maior consciência do alto comando dessas empresas em priorizar a eficiência – talvez não somente por uma questão econômica e/ou ambiental, mas por questão de segurança de suprimento. Todos sabemos que, se o Brasil atingir determinado patamar de crescimento, o suprimento estará comprometido.

Um alento vem das florestas, mais propriamente do Sul da Bahia, região da outrora Mata Atlântica. Um projeto vem reflorestando a área com espécies nativas com propósitos comerciais, isto é, implantando o equilíbrio socioeconômico-ambiental. Trata-se de um projeto levado a cabo pela empresa Symbiosis. Um modelo que deveria ser replicado, por exemplo, na área do Vale do Rio Doce.

O governo de São Paulo escolheu a cidade de Monteiro Lobato para implantar um piloto de cidade inteligente. O exemplo é bom, pois uma cidade pequena pode ser um bom laboratório. Existem outras cidades ensaiando também.

A Toyota anunciou o primeiro carro híbrido movido a etanol e eletricidade. Um bom avanço que ajuda a acalmar o setor de etanol e a fazer uma transição tranquila para o veículo totalmente elétrico.

A Nestlé, depois de muito resistir em práticas nada sustentáveis, como a campanha contra a amamentação e os produtos desenvolvidos para crianças na África que provocaram doenças, parece que acordou para o incremento de uso de produtos orgânicos e a necessidade de relação mais próxima dos seus fornecedores, premiando aqueles com maior produtividade e menor uso de água. Aliás, a polêmica da Nestlé sobre água ainda não acabou, mas a empresa já está fazendo alguma melhoria. No Brasil, possui uma fábrica zero água, que utiliza a água retirada do leite para a fabricação de alguns produtos.

Outra empresa que percebeu que sustentabilidade não é apenas um relatório anual bem escrito é a campeã de corrupção, a Odebrecht. Pois bem, ela resolveu formar um conselho global para ajudá-la a ter regras rígidas contra a corrupção e a favor da sustentabilidade. Aguardemos para ver se o resultado virá mesmo.

Cada dia mais a conscientização de que a sustentabilidade tem que ser para valer e que é uma questão de competitividade no mundo moderno deve se impregnar na sociedade brasileira. Exemplos são muito bem-vindos para incentivar outros a fazer o mesmo.

A era do green wash (expressão em inglês para esclarecer o ato de quem pinta a porteira de verde para dizer que a fazenda é sustentável) acabou, e quem persistir pagará um preço alto por isso, pois o consumidor está cada vez mais antenado a essas táticas provincianas.

A sustentabilidade é uma jornada a ser perseguida com perseverança e cumplicidade, mas os resultados vêm com muita solidez.

O chamado aos eleitores em 2018 é mais do que importante: é imprescindível para que possamos colocar a sustentabilidade como forma de melhorar a competitividade do Brasil e com isso termos um povo que se beneficia do equilíbrio socioeconômico-ambiental de uma economia verde.

Avante, brasileiro!