Com a definição das coligações partidárias e indicação dos candidatos, começou para valer a corrida presidencial de 2018. Mais do que um presidente, escolheremos em outubro o país que teremos entre 2019 e 2022. Na parte econômica, entre os candidatos com chances de saírem vitoriosos, podemos dividi-los em 3 diferentes grupos considerando a política econômica e a capacidade de implementá-la.

Líder e vice-líder das pesquisas na ausência de Lula, Jair Bolsonaro e Marina Silva podem ser incluídos no grupo que tem a agenda econômica correta, mas que encontrarão enorme dificuldade em implementá-la. Bolsonaro pouco fala de economia e quando abre a boca diz obviedades ou bobagens. Marina tem apresentado retrocessos significativos no discurso econômico em relação à campanha de 2014. Apesar disso, ambos são assessorados por excelentes economistas – Paulo Guedes no desenho econômico do plano de governo de Bolsonaro e Eduardo Gianetti e Lara Resende no desenho econômico do plano de governo de Marina.

Apesar de espectros bem diferentes em várias questões, Bolsonaro e Marina têm uma agenda econômica parecida e ambos terão enorme dificuldade em criar uma coalização de governo para aprovar junto ao Congresso medidas fundamentais como a reforma da Previdência. Nesse caso, o Brasil continuaria com uma recuperação volátil, sem tendência clara de crescimento.

Geraldo Alckmin também é assessorado por excelentes economistas, como Pérsio Arida e Edmar Bacha. Assim, além da agenda econômica correta, a grande coalização costurada pelo PSDB para estas eleições deve permitir uma governabilidade bastante efetiva. Nesse caso, teremos não somente a agenda econômica na direção correta como capacidade para implementá-la. Com isso, criam-se condições para que o crescimento econômico alcance a casa de 4% ao ano ao longo dos próximos anos, permitindo que a taxa de desemprego caia sensivelmente.

Por outro lado, Ciro Gomes e o candidato do PT na ausência de Lula, Fernando Haddad, estão no grupo que nem agenda econômica correta tem. É impressionante como eles e os economistas que os assessoram não tenham aprendido nada com a desastrosa política econômica do governo Dilma. Todos eles defendem maior interferência do Estado na economia, com uso de bancos públicos para estimular crédito, por exemplo. Também não está claro como vão lidar com o principal problema, hoje, que é o total descontrole das contas públicas. Como resultado, na implementação de maior intervenção estatal, veremos a atividade econômica mergulhar em uma nova recessão e o problema fiscal se transformar num problema inflacionário.