A sociedade passa por uma revolução com poucos precedentes na história da humanidade. Klaus Schwab, fundador e presidente-executivo do Fórum Econômico Mundial, um dos principais think tanks do mundo, definiu essa era como a 4ª Revolução Industrial – a mais abrangente, profunda e influente de todas, onde se encontram, de forma síncrona, inovações nos campos digital, físico e biológico.

No mundo corporativo, startups modificam com uma velocidade inédita setores tradicionais da economia, como os de mobilidade urbana (Uber, 99Taxis), hospedagem e turismo (Airbnb, TripAdvisor), mídia (Google, Facebook), conteúdo audiovisual (Netflix), varejo (Amazon, Netshoes) dentre tantos outros.

Com a rápida evolução do ambiente, o novo ouro da humanidade é o conhecimento. A abertura perante o novo, estimulando a aprendizagem como forma de aquisição de um novo repertório de conhecimento, é o principal vetor da transformação pessoal tão necessária para lidar com um mundo em mudanças tão velozes.

O ato de errar deve ser concebido como parte integrante do aprendizado

É assustador, no entanto, analisar como o atual modelo de educação está dando conta desse desafio.

Há um descompasso claro entre as demandas de aprendizado do século 21 com o que é oferecido pelo sistema educacional atual, cujas bases remontam à Revolução Francesa.

Estudo do Fórum Econômico Mundial aponta que até 2020 mais de um terço do conjunto das competências essenciais requeridas para a maioria das profissões relevantes será composto por competências que ainda não são consideradas fundamentais atualmente. Talvez algumas ainda nem existam ou nem tenham sido desenvolvidas.

O ciclo de validade das competências está mais reduzido do que nunca. A velocidade de depreciação do conhecimento é tão grande que esse mesmo estudo aponta fontes que mostram que cerca de 50% do conteúdo adquirido no primeiro ano de um curso regular numa universidade torna-se obsoleto no quarto ano.
É requerida a construção e adoção de uma nova filosofia de aprendizagem para lidar com desafios dessa magnitude.

Essa nova filosofia deve se dedicar a preparar o aluno para pensar, refletir e desenvolver raciocínio lógico, gerando conexões entre os conteúdos recebidos e a realidade.

A sala de aula deve ser explorada para fomentar análise crítica a partir das informações selecionadas, em vez de concentrar seus esforços em compartilhar um conhecimento acessível na internet. É pura perda de tempo ensinar aquilo que o aluno já tem à sua disposição e pode dominar autonomamente.

Um dos principais vetores de aprendizado deve ter como foco central o método de resolução de problemas práticos e verdadeiros e o corpo teórico utilizado como suporte ao processo e não fim em si mesmo.

Como resultado dessa inovação, emergem conceitos como o learning by doing (aprendendo pelo fazer), learning by failing (aprendendo com as falhas), self management (o incentivo à autonomia do estudante, que não tem a necessidade de se submeter a regras inflexíveis em seu processo de aprendizagem) e assim por diante.

O novo paradigma de educação deve preparar os alunos a construir conexões a partir de seu repertório pessoal. Esse repertório deve ser nutrido constantemente com conteúdos multidisciplinares, referências práticas e pela valorização da experiência individual. 

O modelo deve se desvencilhar de velhas crenças, do que está posto, acessível e explícito e instigar a experimentação, a curiosidade na busca por novos caminhos. Deve desconstruir tudo o que já foi construído sem, no entanto, desprezar os fundamentos e ensinamentos essenciais que, justamente por serem essenciais, são pilares do novo.

É fundamental estimular os alunos a aprender a desaprender, pois para a construção do novo é imperativo se desvencilhar de modelos ultrapassados, desgastados, dissonantes da realidade dos negócios e da dinâmica social atual.

O ato de errar deve ser concebido como parte integrante do aprendizado e caminho natural do processo. Dessa forma, é estimulada a capacidade de superação das dificuldades, fomentando a busca por diversas formulações de possibilidades para superação dos obstáculos em vez da busca pela “bala de prata”, a resposta definitiva para dado problema. Não existem mais respostas prontas.

A arquitetura do conhecimento estruturada junto aos programas educacionais da 4ª Revolução Industrial deve adotar toda a potencialidade conferida pelas novas mídias e produção de conhecimento em vídeo, áudio, recursos gráficos etc.

É premente que sejam dados passos rumo a um novo modelo de aprendizado, abandonando premissas ultrapassadas que só se sustentam pelo ranço do academicismo tradicional, sem encontrar consonância com as necessidades da sociedade.

Essa emergência não se traduz em demandas para o futuro. Todo o sistema educacional está posto em xeque aqui e agora.

É chegada a hora da transição e, se nós não construirmos essa ponte agora, corremos o risco de, mais uma vez, ficarmos às margens da evolução global.

E o tal gigante adormecido não desperta nunca...

Sandro Magaldi - CEO e cofundador da startup meuSucesso.com, palestrante, professor e autor dos livros Movidos por Ideias e Vendas 3.0