Existe uma corrente forte contrária à saída de Michel Temer da Presidência da República. O que fica inconcebível é acreditar que esses mesmos caciques que o mantêm no cargo protegem sua permanência no Palácio do Planalto para evitar uma possível instabilidade econômica que, mais uma vez, teria como causa a troca de presidente. Não se pode acreditar em mais nada!

Com ou sem Temer, o Congresso deve votar as reformas da Previdência e trabalhista – sim, esta é a agenda mais importante. Neste caso, pelo restabelecimento da ordem econômica, para a manutenção da saúde das contas públicas.

A escatologia do processo de cassação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lança luz sobre o confuso PSDB, que não se decide. O mesmo PSDB, que propôs cassar a chapa, agora é o melhor amigo do governo e a tendência é que busque o lugar mais prestigiado para jogar nas eleições do ano que vem – por isso, a permanência no governo se faz importante. Mas, como há mais mistério entre o céu e a terra do que se pode imaginar, o grupo rachou, por razões como: sairia o PSDB chamuscado pelo governo Temer? Uma ala do partido acredita que as coisas podem piorar. Outra, porém, pede para deixar correr o jogo.

A não-delação do homem da mala, Rodrigo Rocha Loures (aquele da propina da JBS, de R$ 500 mil), ex-assessor especial de Temer, pelo menos até o encerramento desta edição, deu certo fôlego ao xadrez político. Não se sabe, no entanto, quem será o próximo a alardear sobre negociações escusas do atual governo.

Não se pode deixar passar, sem registro na história, o fato do mercado de delações, nunca antes visto. Então, como acreditar em uma Procuradoria-Geral da República, sob o comando de Rodrigo Janot, que decide oferecer o benefício da delação a Joesley Batista, sendo Joesley um confesso criminoso?

Como acreditar em um Tribunal Superior Eleitoral que empurrou o processo da cassação da chapa Dilma-Temer até onde pôde e que transforma uma sessão de julgamento em um ringue de luta onde apenas deveriam imperar argumentos jurídicos? O TSE absolveu por questões políticas ou por que é inviável provar caixa dois?

E, por fim, como acreditar num Supremo Tribunal Federal cujos ministros são nomeados pelos presidentes da República? Não há nada mais parcial do que julgar um processo cujo réu é a pessoa que lhe deu a cadeira para sentar. O ministro Edson Fachin está no olho do furacão. Como relator da Lava Jato, nomeado por Dilma, foi ele quem homologou a delação dos irmãos Batista, da JBS. Por quê? Agora surgem boatos de que Fachin vai aparecer em uma delação, de que Fachin estaria sendo monitorado pela Agência Brasileira de Inteligência, a Abin (o governo desmentiu a notícia veiculada pela revista Veja) e estaria isolado no STF. Quais são os interesses aí envolvidos? Tudo virou um imbróglio. O lado bom é que a verdade está vindo, da pior forma, mas está aí, para o brasileiro entender sobre política e para lutar por um novo modelo para o Brasil. Oremos.