O ano de 2018 reserva uma disputa eleitoral que, na visão de muitos brasileiros, será radicalizada por conta do acirramento das tensões políticas, econômicas e sociais que o país vive nos últimos anos. Há inclusive – e lamentavelmente –, nas pesquisas de opinião da atualidade, a presença em boa colocação de nomes que pregam soluções violentas como caminho de resolução de conflitos. Trágico constatar que essas lideranças e seus liderados acreditem que um país que padece da taxa de 60 mil homicídios por ano necessite de ainda mais violência.

Com a experiência de décadas de atividade como sociólogo, professor e político, incluindo passagens pelo Senado, pela Esplanada dos Ministérios e em dois mandatos como presidente da República, Fernando Henrique Cardoso apresenta uma visão otimista. “Não acho que o Brasil vá para o radicalismo”, afirma. “No quadro em que estamos, tudo vai depender muito da capacidade de o candidato expressar um sentimento que una”.

FHC recebeu AméricaEconomia para uma entrevista exclusiva na qual respondeu abertamente a perguntas sobre o cenário político e econômico do Brasil e sua inserção num complexo tabuleiro global em transformação; seu envolvimento na defesa de novas políticas para o enfrentamento do tráfico e do consumo de drogas; a ameaça representada pelo poder crescente do crime organizado; e a importância de falar aos jovens sobre manter a esperança, entre outros temas.

A conversa foi realizada na sede da Fundação FHC, no centro de São Paulo. Criada em 2004, a instituição preserva o imenso acervo acumulado na vida pública e privada de Fernando Henrique Cardoso e abriga debates sobre democracia e desenvolvimento. As atividades da fundação também são mostradas em nossas páginas.

Com esta última edição do ano, AméricaEconomia cumprimenta e agradece a todos que acompanharam nosso trabalho ao longo de 2017. Desejamos um ótimo final de ano e um excelente 2018.