No segundo trimestre deste ano, em um de cada cinco lares do Brasil, ninguém tinha renda como fruto de trabalho, formal ou informal. São cerca de 15,2 milhões de domicílios, mostram pesquisadores que se utilizaram de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em levantamento publicado pelo jornal Valor Econômico no final de agosto.

São números de fato assustadores, contrastados por outros indicadores que começam a sugerir tímidos sinais de alguma recuperação da economia – como as projeções de crescimento do PIB para 2017. Nada que fique longe de 0,5%, mesmo tomando-se a comparação com uma base anterior muito ruim. Mas, de qualquer maneira, talvez se trate de um alento. 

De outra parte, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou no dia 11 de setembro em alta de 1,7%, a 74.319,22 pontos. É a maior pontuação da história.

Não são poucas as vozes que alertam que, a manter tanta desigualdade e tantos paradoxos, o futuro do Brasil só pode ser visto com otimismo caso se usem óculos dignos de Pollyanna.

É preciso juntar essas pontas se quisermos desatar tantos nós. Não são poucas as vozes que alertam que, a manter tanta desigualdade e tantos paradoxos, o futuro do Brasil só pode ser visto com otimismo caso se usem óculos dignos de Pollyanna.

Um dos assuntos tratados nesta edição de AméricaEconomia é o acordo de livre-comércio que vem sendo costurado há quase duas décadas entre Mercosul e União Europeia – tema da entrevista que a conselheira do Itamaraty Paula Aguiar Barboza concedeu à revista. No seminário que discutiu o acordo, o empresário Stefan Salej, representando a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), disse que se abrem para o Brasil oportunidades de ganhos como a geração de mais empregos – “e empregos de mais qualidade”.

Que o país possa aproveitar bem essa oportunidade para benefício, de fato, de toda a sociedade. E que não seja necessário esperar por boas notícias que dependam mais de fatores externos do que internos.

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AméricaEconomia entra numa fase de mudanças na qual novos projetos, tanto editoriais quanto na área de eventos, movimentarão cada vez mais a revista. É um processo já iniciado, que ficará cada vez mais visível e marcante a cada edição.

Entre as mudanças, registramos que a jornalista Bruna Lencioni deixa de integrar a equipe de AméricaEconomia. Ao longo de um ano e meio como editora-chefe, a jornalista fez um trabalho cuja qualidade todos os leitores puderam atestar nas páginas da revista. Bruna parte para novos desafios profissionais, e desejamos que alcance neles muito sucesso.