Os últimos números divulgados no Brasil sobre o IPCA, que mede a inflação, e o Caged, que mostra o volume de empregos formais, foram importantes – revelaram um bom termômetro da economia. Mas calma. A inflação está abaixo do centro da meta a 2,71% no acumulado de doze meses – em julho, o volume de emprego subiu pelo quarto mês consecutivo, mas o governo segue preocupado com as contas públicas, que apresentam um déficit fiscal de R$ 159 bilhões – esse número era originalmente de R$ 139 bilhões, mas a contínua queda na arrecadação levou a equipe econômica a refazer as contas.

Isso é um péssimo sinal e que fuzila qualquer dado positivo de retomada da atividade econômica, não porque derruba as perspectivas de que as coisas estão melhorando, mas sim pela ineficiência de Michel Temer em olhar para o que realmente é necessário – cortar despesas. É simples de explicar: emprego, juros baixos e inflação controlada simbolizam uma economia saudável, ainda que as contas públicas estejam sofrendo ajustes. É com este pensamento que o governo segue fazendo política: usando cargos públicos para garantir sua maioria no Congresso.

A área de infraestrutura brasileira é a grande chance de o Brasil virar a chave para alcançar níveis satisfatórios de emprego e renda. O resto é consequência

A atividade industrial brasileira, que ainda sangra, consegue continuar garantindo ao Brasil a primeira posição entre os países que têm as 500 Maiores Empresas da América Latina, como mostra o ranking preparado pela AméricaEconomia Intelligence, baseada no Chile. O mercado local representa 43% do total de vendas entre todos os países, seguido do México, com 28%, e o Chile, com 10,5%. De algum modo, isso é mais uma demonstração de que, apesar do que acontece em Brasília, a vida segue – é preciso sobreviver, afinal.

O descolamento da economia à política não é uma escolha. Significa sobrevivência. Este é, portanto, um dos fatores que fazem funcionar aquela tese econômica de que o momento da inflexão, da virada, acontece inevitavelmente depois de uma grande tempestade.

Na análise do quadro na América Latina, é possível dizer que muitas empresas desapareceram, mas também pode-se afirmar que setores como o de varejo salvaram a lavoura. Uma outra maneira de falar que a economia brasileira já está andando sozinha é que entre as dez empresas que mais ganharam e as que mais perderam em lucro líquido, o Brasil está na frente na lista das que perfizeram números melhores.

O olhar sobre a economia brasileira diante do resto do mundo é que: há grandes oportunidades de negócios no Brasil, que estão muito além da análise sobre a baixa produtividade. A área de infraestrutura brasileira é a grande chance de o Brasil virar a chave para alcançar níveis satisfatórios de emprego e renda. O resto é consequência.