No mês que marca a celebração do Dia Internacional da Mulher – 8 de março, data associada à luta histórica das mulheres por igualdade econômica, política e de representação, como o direito ao voto, entre outras dimensões –, esta edição de AméricaEconomia apresenta dados que demonstram que, no mundo do trabalho, ainda há muito caminho a percorrer para que se atinja o objetivo da igualdade.

Se a disparidade entre gêneros na participação econômica diminuísse apenas 25% nos próximos sete anos, o PIB global poderia aumentar em US$ 5,8 trilhões, de acordo com estimativas do Fórum Econômico Mundial. O montante é equivalente a quase três vezes o PIB brasileiro de 2017, de US$ 2,02 trilhões.

O debate sobre igualdade de gênero vem timidamente ganhando espaço nas empresas, aponta Ligia Paula Pires Pinto Sica, professora de Políticas de Gênero da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas de São Paulo. A professora afirma que a conscientização acerca do problema é um dado positivo, mas também gera o efeito psicológico negativo de que alguns funcionários enxergam certas políticas como uma espécie de privilégios indevidos a mulheres.

Para a matéria de capa desta edição, a repórter Beatriz Santos colheu depoimentos de empresárias e executivas que chegaram a posições de mando em companhias brasileiras. Os relatos demonstram que, ao mesmo tempo, há avanços na luta pela igualdade – e que a ideia associada a privilégios está muito distante da realidade vivida por essas profissionais. “O maior desafio da mulher é se provar tecnicamente. Isso porque, infelizmente, a mulher já chega devendo no minuto zero do jogo”, comenta, por exemplo, Emanuela Ramos, diretora-executiva de Negócios da Resource IT.

De nossa parte, esperamos noticiar cada vez mais avanços para que todos e todas desfrutem da condição da igualdade.