A redação de AméricaEconomia Brasil ficou em dúvida sobre como traduzir na capa o tema da principal reportagem desta edição – um alentado trabalho produzido para as edições internacionais da revista, que circulam nos países vizinhos da América Latina. Duas opções concentraram a maioria dos votos, e a vencedora acabou sendo a que mostra um cenário mais turbulento. Reproduzimos nesta página a segunda finalista, uma imagem que também expressa a ideia central da reportagem, embora traduzindo-a de maneira talvez mais amena.

É uma situação que ilustra bem alguns dos dilemas com os quais o jornalismo é frequentemente confrontado. Uma de suas missões é a busca de oferecer aos leitores uma bússola para que se orientem da melhor forma possível num mundo que parece cada vez mais padecer de overdose informativa. Decifrar tendências, ouvir especialistas, escavar informação qualificada e oferecê-la sem descambar para o sensacionalismo e o catastrofismo ou, de outra parte, para um otimismo ingênuo e descolado da realidade: eis uma tarefa – sem dúvida difícil – da qual o jornalismo praticado com seriedade não pode se eximir.

Julgamos que a reportagem de capa desta edição cumpre essa tarefa. A análise apresentada a partir de números, fontes qualificadas e dados de diversas ordens demonstra que a situação das finanças globais se assemelha àquela que desencadeou a crise de 2008. Há espaço, porém, para que governos e organizações corrijam o rumo – ou ao menos se preparem adequadamente para enfrentar a situação.

As lições de 2008 foram dadas. Saberemos logo à frente se foram aprendidas.