O desemprego mantém-se no patamar dos 13%, atingindo quase 14 milhões de brasileiros. A esse dado já trágico, soma-se outro: o número de pessoas desalentadas – aquelas que estão desocupadas, mas que após uma série de recusas e insucessos sequer voltam a procurar trabalho – continua subindo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o primeiro trimestre deste ano fechou com 4,6 milhões de desalentados no país, 278 mil a mais do que no final do ano passado. Como apontou uma reportagem recentemente publicada na imprensa, trata-se de um contingente maior do que toda a população da Croácia, em destaque pelo vice-campeonato na Copa do Mundo da Rússia, que tem em torno de 4,2
milhões de habitantes.

Há razões para alento na entrevista que AméricaEconomia publica nesta edição com o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, cujas atividades vão da coordenação do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas em São Paulo até a participação em conselhos de muitas entidades e associações ligadas direta ou indiretamente à agropecuária.

Uma das razões: o Brasil é visto, desde o exterior, como o país que pode dar a resposta para o equilíbrio da segurança alimentar no planeta. De acordo com estimativa das Nações Unidas, seremos 9,7 bilhões de seres humanos em 2050. Projeções indicam que o Brasil precisaria aumentar em 40% a sua produção agrícola para se transformar no que Rodrigues batiza como “campeão mundial da segurança alimentar”.

Seria de fato um grande alento para a geração de divisas, emprego e renda, além de esteio para ações que de fato enfrentassem os graves problemas sociais e econômicos do país.

Chegaremos lá? “Depende de uma estratégia, que não temos”, desalenta o ex-ministro.

Que a campanha eleitoral e o pleito que se avizinham ajudem a semear estratégias e alento para que
possamos ter a colheita de um país melhor num futuro breve.