A revista The Economist informa que não bastará voltarmos às emissões de carbono referentes a 1990, mas teremos que ainda retirar da atmosfera cerca de 800 bilhões de toneladas de CO2.

Os esforços para voltarmos às emissões de 1990 estão sendo feitos pelos países por meio das reuniões anuais das Nações Unidas sobre o clima (as COPs). Junto a elas estão todas as inciativas subnacionais, que, aliás, neste ano ganharam mais importância, especialmente com os movimentos liderados pelo governador da Califórnia, Jerry Brown, no intuito de neutralizar a catastrófica decisão do governo norte-americano de se retirar das conversas das COPs. Embora os desafios permaneçam grandes, neste ano a união entre os movimentos, agora liderados pela China, se mostrou mais consistente.

Já para sequestrar os 800 bilhões de toneladas de CO2 da atmosfera os desafios são ainda maiores. A primeira alternativa oferecida seria o reflorestamento de uma área equivalente ao território do Canadá.

Bancos e empresas devem ser mais transparentes e informar abertamente sobre os riscos dos projetos em que estão envolvidos

Algumas inciativas brasileiras poderão ajudar bastante. Somente no Mato Grosso existem 4,5 milhões de hectares de áreas degradadas. Se acrescentarmos outros 6,5 milhões de hectares da região do Vale do Rio Doce, já teremos chegado perto dos 12 milhões de hectares prometidos pelo governo brasileiro.

Contribuições internacionais para isso já estão chegando, como a de cerca de € 17 milhões (R$ 64,8 milhões) que a instituição alemã KFW assinou com o estado do Mato Grosso durante a COP23 em Bonn, em novembro último – lembrando que os recursos serão geridos pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).

O Instituto Sebastião Salgado, que atua na região do Vale do Rio Doce, esquenta as baterias para o lançamento de fundo para dar sua contribuição a uma parcela dos 6,5 milhões de hectares de reflorestamento de Mata Atlântica.

Já o World Research Institute (WRI) e a International Union for Conservation of Nature (IUCN), com financiamento da Children Investment Fund Foundation (CIFF), lançaram o Projeto Verena para viabilizar o reflorestamento de áreas da Mata Atlântica com espécies nativas com fins comerciais. O WRI já mapeou no mundo mais de 2 bilhões de hectares de áreas degradadas passíveis de restauração.

Um ótimo desejo para 2018 seria o de ter petroleiras e petroquímicas contribuindo financeiramente (um valor fixo em dólar por barril ou tonelada de seus produtos vendidos, por exemplo) para que esses projetos de restauração ganhassem mais velocidade.

Os veículos elétricos vieram para ficar. Estão se aperfeiçoando, diminuindo-se o custo das baterias para que então ganhem escala e concluam a disrupção do motor a combustão.

Outro excelente desejo para 2018, para impulsionar esse setor no Brasil, seria uma união entre as empresas geradoras, transmissoras e distribuidoras de eletricidade para a construção de uma rede de recarga em todo o território nacional. Isso impulsionaria bastante os fabricantes a antecipar o desembarque de seus veículos no Brasil e, consequentemente, impulsionaria também o combalido setor elétrico brasileiro.

O ano de 2018 será de eleições gerais no Brasil. O mais brilhante desejo para o país seria o do povo brasileiro eleger um parlamento e um Executivo conscientes da necessidade de todas as suas ações serem pautadas por um equilíbrio socioeconômico-ambiental. Com esse alicerce, o povo brasileiro poderá saber realmente onde está e para onde deseja ir. E mais: esse alicerce será a fonte de captação de recursos para resolver a grande maioria dos problemas brasileiros.

Perseguir o equilíbrio socioeconômico-ambiental também seria o mais sublime desejo para a agropecuária brasileira. Mas de verdade, com firme propósito, criando valor para toda a importante cadeia desse setor. Construir uma agropecuária sustentável não só salvará o setor de percalços futuros, mas também trará uma vantagem comparativa enorme ao Brasil.

Outra revista britânica, The Bankers, alerta para o possível risco de uma nova crise financeira, agora causada pelos potenciais estragos que as mudanças climáticas trarão. Esse alerta vai mais especificamente para que bancos e empresas sejam mais transparentes e informem abertamente sobre os riscos relativos às mudanças climáticas nos projetos em que estão envolvidos.

E aqui vai então mais um desejo para que, em 2018, os empresários e bancos brasileiros passem a informar sobre esses riscos. Talvez o Banco Central do Brasil comece a olhar mais de perto para esse risco e possa ajudar o setor a se formalizar nesse sentido.

Um Feliz Ano Novo Verde!