O meio empresarial é um ambiente em constante mutação. Fatores como a entrada de novas gerações no mercado de trabalho, velocidade dos processos de inovação, transformações no cenário econômico e a sofisticação do perfil e dos anseios de consumidores, são cruciais na determinação de quais as estratégias serão adotadas por CEOs para alavancar o crescimento de um negócio.

Neste sentido, o objetivo deste artigo é analisar alguns dos principais desafios que uma organização enfrenta no contexto atual do mercado brasileiro e de que forma tais transformações geram novos paradigmas de gestão que podem, até mesmo, influenciar nos processos.

Conduzindo negócios na retomada econômica

A primeira mudança para a qual os gestores devem ficar atentos diz respeito ao cenário de volta do crescimento econômico do país

A primeira mudança para a qual os gestores devem ficar atentos diz respeito ao cenário de volta do crescimento econômico do país. Se, nos últimos anos, tivemos que trabalhar nossos modelos de negócio baseados em um ambiente de crise econômica, o grande desafio agora será aproveitar o movimento de retomada da economia em prol de um crescimento robusto das empresas brasileiras.

Ainda que a rota de crescimento econômico seja tímida (os últimos dados do FMI indicam uma previsão de 0,7% para 2017) e sofra influência negativa da instabilidade política, o fato é que, para 2018, já se espera uma movimentação mais significativa, na casa de 1,5%.

Vale salientar ainda que, se a crise nos ensinou a estimular ações calcadas em valores como a resiliência e a otimização do uso eficiente dos recursos, o grande segredo para os próximos anos, será crescer em cenários mais favoráveis, alocando investimentos de forma assertiva e criando um ambiente propício para o crescimento sustentável.

A transformação digital enquanto fator indispensável

Outro ponto importante diz respeito a necessidade da transformação digital de toda empresa que deseja manter-se relevante dentro de seu mercado de atuação. Tal processo envolve uma comunicação direta entre os CEOs, com os CFOs e CIOs, para a implementação efetiva de uma mudança organizacional, visando um maior aproveitamento de recursos tecnológicos.

Em um cenário de competição acirrada, utilizar a tecnologia como um instrumento-chave para a otimização de processos internos, análise de mercado e de público-alvo e, até mesmo, enquanto suporte para a tomada de decisões, não deve mais ser visto como algo opcional, mas sim, como uma tendência que deve ser abraçada pelos gestores que entendem a importância da inovação para o crescimento de uma empresa.

Segundo o Gartner, o processo de transformação digital está centrado em quatro aspectos:

1. Exploração: devo criar soluções ou me aliar a parceiros? É o processo de entendimento de seu potencial de inovação;

2. Planejamento: o processo de alinhamento entre os objetivos do negócio e as estratégias do ecossistema de inovação;

3. Entrega: criação de valor para a empresa como um todo a partir do ecossistema digital;

4. Evolução: antecipação de cenários digitais e constante evolução do potencial de inovação.

O cliente como centro do negócio

O que fazer para se destacar no teu mercado de atuação quando há uma série de opções de qualidade? A nova tendência é orientar as organizações para lidar com os clientes como sendo o seu ativo mais importante, inclusive desenvolvendo áreas dedicadas ao estudo das demandas e oferta de experiências significativas para o consumidor (Customer Success).

Em outras palavras: não basta ser bom no que se faz, é preciso ser a solução para as necessidades reais do seu cliente. Quando levamos em conta um cenário de economia de recorrência e maior propensão dos consumidores para mudar suas escolhas em produtos ou serviços, antecipar as necessidades e acompanhar as mudanças nos anseios dos clientes é crucial para a fidelização deles.

A entrada de novas gerações no mercado e as transformações nos modelos organizacionais

Por fim, é natural que, de modo gradativo, novas gerações ocupem os espaços no mercado de trabalho, trazendo consigo visões diferenciadas de gerenciamento e de condução do dia a dia de uma empresa.

Para se ter uma ideia, até 2020, cerca de 20% da mão de obra mundial será composta por indivíduos da geração Z (nascidos entre 1995 e 2000), os quais tem como principais características a agilidade na relação com o ambiente digital, resistência a hierarquias tradicionais – é comum vermos, por exemplo, o surgimento de estruturas horizontais com foco em oferecer maior independência para os talentos de uma companhia –, além de forte potencial em inovação e criatividade.

Assim, um dos principais papeis dos CEOs, será extrair o melhor destes colaboradores, promovendo a integração entre as distintas gerações e adaptando os modelos gerenciais em prol do crescimento das empresas.

Os desafios aqui expostos não são nada triviais, mas, o fato é que lidar com cenários complexos faz parte do cotidiano de qualquer gestor no mundo moderno. Precisamos, pois, estarmos todos preparados para saber trafegar neste ambiente de constantes mudanças. Mudanças estas, cada vez mais velozes e até disruptivas.

Alexandre Velilla Garcia - CEO do Cel.lep Idiomas