Recentemente, recebi uma mensagem angustiada de um amigo de longa data. Vou reproduzir uma parte do texto.

“Caro Elmano,

Um candidato à vaga não pode ser prejudicado, tampouco favorecido por ter sido indicado por alguém da empresa. A avaliação pelo RH deve ser criteriosa e impessoal

Estou em uma situação constrangedora aqui na *** (nome da empresa onde ele trabalha). Indiquei um amigo da época da faculdade para atuar na área de marketing. O currículo dele é ótimo e o desempenho acadêmico na faculdade foi acima da média. Confesso que fiz um lobby muito grande para que ele fosse contratado.

Acontece que logo nos primeiros meses ele começou a apresentar um comportamento preocupante. Não conseguiu estabelecer um relacionamento amistoso com os colegas. Quase não há interação com o grupo de sua área e, nas raras vezes em que interagiu, demonstrou, ou pelo menos aparentou, uma certa arrogância. Além deste comportamento, ou por causa dele, a produtividade do *** (nome do amigo) tem sido decepcionante.

Tenho notado que, ainda que de forma indireta, algumas pessoas na empresa acham que sou culpado por esta situação. Eu mesmo me cobro por ter feito a indicação. Gostaria que você fosse bem direto comigo, Elmano: O mau desempenho dele é minha culpa?”.

Meu amigo não é o único a passar por esta situação. Resumindo, a questão é: De quem é a responsabilidade pela pessoa que você indicou à empresa?

No mundo ideal, a escolha de funcionários deveria obedecer única e exclusivamente a critérios técnicos, objetivos. Porém, no mundo real, nem sempre é assim. Em muitas empresas, a seleção de profissionais não é nada profissional. Contrata-se não pela competência, mas pela recomendação de alguém. É o famoso Q.I. – Quem Indica.

Um candidato à vaga não pode ser prejudicado, tampouco favorecido por ter sido indicado por alguém da empresa. A avaliação pelo RH deve ser criteriosa e impessoal. As pesquisas de perfil comportamental são ótimos indicadores sobre a adequação do candidato ao cargo a ser ocupado. Usando princípios científicos, teorias de psicologia e estatística, estas pesquisas de perfil comportamental têm um altíssimo índice de acertos para contratar a pessoa certa para a função certa.

Sendo assim, se o funcionário não tiver o desempenho desejado, acredito que a responsabilidade é de quem o contratou e não de quem o indicou. Desde que esta contratação tenha sido feita de maneira imparcial e profissional.

 O único caso em que alguém pode ser responsabilizado por uma indicação se dá quando o indicado apresenta desvio de conduta. As pesquisas de perfil comportamental não medem inteligência nem valores éticos, medem apenas o comportamento. Não dá para recomendar uma pessoa que apresenta um histórico de problemas de caráter.

Portanto, há de se tomar muito cuidado para indicar alguém. Quem indica, quase sempre é visto como um fiador da pessoa indicada.  É como se dissessem: “Dize-me quem indicas, e te direi quem és”. Mas a responsabilidade da contratação é sempre da empresa. Sempre. Por isso, a importância de se usar pesquisas de perfil comportamental como critério de seleção. Isso eu indico.