Após uma diminuição acentuada a partir de 2015, causada pela queda dos preços do petróleo e das commodities, a relação comercial bilateral entre a Romênia e o Brasil, embora a um ritmo mais lento, voltou a crescer em 2017, no marco dos 89 anos de estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países, iniciadas em 1928. A entrada em vigor do novo Acordo de Cooperação Econômica e Tecnológica no início de 2016 – que representa um instrumento valioso para promover as relações bilaterais e incentivar a cooperação científica e técnica entre os dois países nas áreas de exploração de petróleo, indústrias automotiva e de transporte, energias renováveis e agronegócio –, bem como o lento crescimento da zona do euro, o principal parceiro comercial da Romênia, constituem fatores que podem impulsionar o comércio e o investimento bilaterais a partir de 2018.

A base para o crescimento do comércio entre nossos países é saudável e sustentável. No seu pico, em 2014 – quando o volume total do comércio chegou perto de US$1 bilhão –, as exportações da Romênia consistiram quase que exclusivamente em produtos manufaturados, principalmente autopeças usadas na fábrica de Renault de São José dos Pinhais (PR) para os modelos Logan, Sandero e Duster, mundialmente famosos; vagões e equipamentos entregues à Vale e navios feitos sob encomenda para a Petrobras.

Tendo o ano de 2014 como referência, o diálogo político entre os dois países identificou as seguintes áreas de interesse mútuo: energia (incluindo biocombustíveis), equipamentos para as indústrias de petróleo e petroquímica, equipamentos ferroviários, construção naval, tecnologia militar, infraestrutura, recursos minerais e turismo. Com a aprovação e entrada em vigor do Acordo de Cooperação Econômica e Tecnológica, Brasil e Romênia poderão avançar nas conversações sobre esses temas e realizar encontros bilaterais anualmente para discutir novas oportunidades econômicas, bem como sua cooperação tecnológica.

A recuperação dos dois países prepara o cenário para um novo ciclo de crescimento em suas trocas

Outra disposição do acordo é fornecer um quadro para a cooperação entre instituições de ambos os países, como as Câmaras de Comércio e os institutos de pesquisa econômica, propiciando que os agentes privados desempenhem um papel importante para impulsionar as relações econômicas.

Dependendo do ritmo das negociações para o Acordo de Livre Comércio entre a União Europeia e o Mercosul, as empresas registradas na União Europeia se beneficiarão de novas oportunidades de negócios para muito além dos objetivos previstos na Parceria Estratégica UE-Brasil. O escopo do tratado é extremamente amplo e visa à abolição das barreiras comerciais e à estimulação de investimentos recíprocos, além de acesso a contratos públicos, desenvolvimento de mercados de capitais, transferência de know-how e tecnologia, etc.

As áreas prioritárias para o desenvolvimento das relações econômicas bilaterais Romênia-Brasil no contexto de um eventual Acordo UE-Mercosul são: indústria automotiva, infraestrutura ferroviária, setor de TI, indústria elétrica e setor agroindustrial. Poderíamos acrescentar a indústria do petróleo (perfuração offshore), ainda que o setor deva primeiro absorver os efeitos da Operação Lava Jato e das perdas causadas pela queda de preços nos mercados internacionais.

De uma parte, o crescimento lento mas constante no comércio bilateral nos últimos dois anos confirma o também lento processo de recuperação da economia brasileira, que se segue à pior crise econômica a atingir o país nas últimas décadas, com efeitos negativos nas importações em todas as áreas (aumento dos custos de financiamento devido à crise política, níveis crescentes de tributação e políticas para manter artificialmente a taxa de câmbio).

De outra parte, o constante crescimento das exportações brasileiras para a Romênia – as matérias-primas, em especial o minério de ferro, representam mais de 70% desse total – confirma a retomada do crescimento econômico sustentável romeno. De fato, o volume de negócios no setor industrial aumentou em mais de 10% na Romênia em 2017 em comparação com o mesmo período do ano anterior, tornando o país um dos campeões de desenvolvimento da UE.

A evolução das relações comerciais bilaterais em 2017 marca a saída da curta estagnação causada pela crise que afetou o Brasil e pelos ajustes macroeconômicos pelos quais a Romênia passou, o que garante um prognóstico de certo otimismo nos curto e médio prazos. A recuperação da indústria da Romênia, juntamente com uma crescente confiança na economia do Brasil e uma mudança de política para abrir o país a uma maior cooperação e integração na cena econômica internacional, prepara o cenário para um novo ciclo de crescimento bilateral que pode perfeitamente exceder os níveis históricos de 2014. Nesse contexto, o interesse romeno é promover oportunidades mútuas de comércio e investimentos com ênfase em inovação e transferência de tecnologia.

Matei Balaita - Chefe do Departamento de Desenvolvimento Comercial da Embaixada da Romênia no Brasil