Em abril passado, tive a honra de fazer uma conferência TED em Vancouver, no Canadá. Os eventos do TED têm o objetivo de inspirar e disseminar ideias, e o tema deste ano - "Nós no Futuro" - explora o que nos reserva o futuro.

A inteligência artificial, a robótica e outros avanços tecnológicos são muito promissores, mas essas mudanças acontecem em uma velocidade vertiginosa. Temo que muitos de nós não estejamos preparados. Ainda existem muita pobreza e desigualdade no mundo, e temos muito trabalho a fazer para oferecer oportunidades a todos.

Uma grave preocupação é que milhões, possivelmente bilhões de pessoas pobres poderiam ficar para trás à medida que entramos em uma nova era industrial. Nos países em desenvolvimento, um número grande demais de pessoas não tem acesso a educação de qualidade, nutrição, atenção médica, e oportunidades para alcançar seu potencial.

De qualquer forma, suas aspirações de ter uma vida melhor estão crescendo. Devemos encontrar formas de ajudar a nossos clientes para tornar realidade essas aspirações, ou corremos o risco de produzir mais frustração, migração e conflitos. 

Em poucas palavras, é isso o que disse na conferência TED. (i) Como preparação, veja algumas conferências realizadas por colegas do Grupo Banco Mundial e ex-estudantes, cientistas, escritores, economistas e especialistas em tecnologia. Em cada uma delas, são transmitidas valiosas e sábias ideias, mas cinco delas me inspiraram em particular: 

1)    Dilip Ratha: A força oculta na economia global: enviar dinheiro para a terra

Ratha é um economista do Banco Mundial que cruzou dois oceanos com apenas US$ 20 em seus bolsos para realizar seu sonho de estudar no EUA. Em sua conferência, explica que os imigrantes enviam a suas famílias, em seus países de origem, um montante que representa o triplo da ajuda estrangeira mundial. Esses "dólares envolvidos com amor" servem de sustento para várias pessoas pobres e poderiam contribuir muito mais para reduzir a pobreza.

2)    Chrystia Freeland: A ascensão dos novos super-ricos globais

Freeland, atual ministra das Relações Exteriores do Canadá, aponta o perigo da crescente desigualdade econômica em todo o mundo em uma exposição convincente sobre o auge da nova classe de plutocratas, impulsionada pela tecnologia e pela globalização. 

3)    Bono: As boas notícias sobre a pobreza (Sim, há boas notícias)

Bono é uma estrela do rock na vida real uma estrela do rock entre os trabalhadores humanitários como o fundador da organização ONE. Não é de se estranhar que se sente muito confiante em frente ao público. Nessa conferência, ele nos apresenta com humor e estilo que "nos dias atuais, a longa e lenta travessia da humanidade para alcançar a igualde social está se acelerando".

4)    Michael Porter: O caso para permitir que negócios resolvam problemas sociais

Porter defende de forma convincente que as empresas estão em melhores condições para ampliar as soluções aos problemas mais importantes do mundo. Concordo com ele. O setor privado será crucial para ajudar a dar um fim à pobreza extrema e promover a prosperidade compartilhada nos países em desenvolvimento.

5)    Josette Sheeran: Acabando agora com a fome

Sheeran esteve na vanguarda da luta contra a fome como diretora-executiva do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (agora é a presidente e diretora-executiva da Asia Society). As consequências da má nutrição são trágicas, sobretudo para crianças pequenas. Sua exposição faz com que questionemos por que, depois de tanto tempo, esse problema continua sem solução.

* Jim Yong Kim é presidente do Grupo Banco Mundial.