“O Brasil é e permanece sendo o nosso principal parceiro na América Latina”: o compromisso de uma parceria estratégica nas primeiras Consultas Intergovernamentais teuto-brasileiras assumido pelo então ministro federal das Relações Externas, hoje presidente da República Federal da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, em agosto de 2015, não poderia ter sido mais claro.

Os governos de nossos dois países acordaram inúmeros projetos, que representam os valores e interesses tanto da Alemanha como do Brasil. Além dos referentes a direitos humanos, comércio e proteção do clima e do meio ambiente, estavam em primeiro plano também urbanização, ciência, inovação e tecnologia – ou seja, assuntos do futuro, que são muito importantes para os dois países.

O Brasil de fato é o parceiro latino-americano mais importante da Alemanha, também na ciência. Quase todas as instituições de pesquisa e universidades da Alemanha cooperam com o Brasil e estão representadas aqui no país por funcionários próprios, a maior parte deles no Centro Alemão de Ciência e Inovação (DWIH), em São Paulo.

Do ponto de vista alemão, há no Brasil, além da sua grande importância econômica, sobretudo um grande potencial para a cooperação na ciência por conta do seu bom cenário de universidades, o que juntos queremos aproveitar ainda mais. O DWIH realiza todo ano um diálogo científico alemão-brasileiro, juntamente com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para promover os principais temas da cooperação de pesquisa. A urbanização (2016) e a bioeconomia (2017) sublinham a atualidade e o significado político desse diálogo.

A Alemanha e o Brasil formaram grupos de trabalho nas duas áreas para concretizar os acordos das Consultas Intergovernamentais entre os ministérios competentes. No final de 2016, o DWIH e a Fapesp organizaram, juntamente com o Ministério Federal das Relações Externas da Alemanha, a FGV Projetos e a Câmara Municipal de São Paulo, o 5° Diálogo Brasil-Alemanha de Ciência, Pesquisa e Inovação, como início da parceria teuto-brasileira de urbanização.

O que pretendemos é moldar nossas cidades de forma sustentável e habitável para a população e com isso também desenvolver mais o potencial para o crescimento econômico

Políticos e cientistas abordaram soluções para questões de planejamento urbano, eficiência energética e Smart Cities. Já na fase preliminar, um grupo de renomados multiplicadores brasileiros viajou à Alemanha para uma troca de ideias, fazer novos contatos e alavancar a cooperação. O que pretendemos é moldar nossas cidades de forma sustentável e habitável para a população e com isso também desenvolver mais o potencial para o crescimento econômico.

Por isso, o tema também terá um papel importante no Encontro Econômico, em novembro de 2017, em Porto Alegre. Do lado alemão, ressaltamos o grande interesse do Brasil nas empresas alemãs e suas soluções – por exemplo, nas áreas da infraestrutura, Smart Cities e gestão moderna de resíduos.  

No Diálogo Brasil-Alemanha de Ciência, nos próximos dias 8 e 9 de novembro, na sede da Fapesp, especialistas discutirão em alto nível o tema bioeconomia com suas diversas facetas – sempre visando pesquisas e projetos conjuntos. Os parceiros são, entre outros, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do Brasil, o Ministério Federal das Relações Externas da Alemanha, o Ministério Federal Alemão para Educação e Pesquisa, assim como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

No foco, estarão a produção sustentável de alimentos e a alimentação saudável, assim como biomassa, bioenergia e a pesquisa de biodiversidade. No dia anterior à conferencia, os representantes dos governos dos dois países irão trocar ideias no novo grupo de coordenação de bioeconomia sobre possíveis iniciativas conjuntas.

Uma delegação do Ministério Federal Alemão para Alimentação e Agricultura já veio em maio de 2017 ao Brasil e realizou um workshop sobre o tema bioeconomia, com ênfase na economia e desenvolvimento de um centro de bioinovação no Rio de Janeiro. O Ministério Federal Alemão para Educação e Pesquisa apoia diversos projetos conjuntos neste âmbito no Brasil, e no médio prazo projetos de pesquisa deverão ser anunciados e financiados em conjunto.  

Urbanização e bioeconomia são, para a Alemanha e para o Brasil, dois pilares importantes de sua parceria de pesquisa multifacetada. A busca conjunta de melhores soluções sublinha o objetivo de um crescimento sustentável e a responsabilidade global dos dois países. O Diálogo Brasil-Alemanha de Ciência do DWIH e da Fapesp ressaltará isso de forma marcante neste mês de novembro.

O autor é cônsul-geral da República Federal da Alemanha em São Paulo