Existem diversas razões muito palpáveis para que haja um congelamento do desmatamento da Amazônia. A maior delas acredita-se que seja o grande potencial com que a biodiversidade da Amazônia contribui para que o resto do Brasil continue a ter condições mínimas para se manter vivo.

Entretanto, outra razão tão forte quanto essa é o potencial ainda totalmente indefinido da contribuição da floresta viva para a melhoria da qualidade de vida das gerações futuras. Não estou referindo-me tão somente às questões climáticas, mas também, e talvez principalmente, às questões da biodiversidade da floresta relacionadas aos benefícios que a biotecnologia possa trazer na qualidade de vida futura – o que certamente contribuirá para que a floresta viva possa ser traduzida verdadeiramente como ouro verde.

Ah, mas como ficaria a produção de alimentos? Como vamos aumentar em 40% a produção de alimentos no Brasil para alimentar o mundo, afinal o Brasil não é o celeiro do planeta?

A resposta para isso está no trinômio tecnologia/produtividade/saber tradicional. Somente assim se atingirá o equilíbrio socioeconômico-ambiental para a região.

“A resposta para as questões da região está no trinômio tecnologia, produtividade e saber tradicional. Está claro que, se desejamos realmente uma solução, ela terá que vir de dentro para fora. A ajuda será bem-vinda quando a população local desejar”

Além do mais, existem milhões de hectares degradados que, se recuperados com tecnologia, poderão também servir de área para produção de alimentos – muito embora a defesa para o reflorestamento dessas áreas seja mais adequada.

Devido às dificuldades políticas que o Brasil vem atravessando nos últimos anos, fica claro e notório o aumento do desmatamento da Amazônia. Com essa bagunça política, começam a emergir os idiotas radicais de todos os lados. Aparecem aqueles que querem afrontar a sociedade mundial com suas teorias e práticas desenvolvimentistas arcaicas que não são mais aceitas pela sociedade do mundo contemporâneo – e, do outro lado, vem o ativismo irresponsável.

No momento de fragilidade política e econômica que o Brasil vive, não é recomendável de forma alguma que representantes do governo se envolvam em bravatas internacionais na tentativa de apagar a realidade. Isso aconteceu, e com um resultado catastrófico para o país, que até então vinha recuperando sua imagem ambiental com ações e negociações que permitiram, por exemplo, que o governo da Noruega doasse US$ 1 bilhão ao Fundo Amazônia.

De outra parte, também temos que combater o ativismo irresponsável – que, se aproveitando desse momento frágil do país, quer implementar teses dominadoras.

Circula pelos Estados Unidos um e-mail disseminado pelo sr. Carter Roberts, CEO do WWF norte-americano, sobre a necessidade premente de educar os brasileiros para a conservação da Amazônia. A soberba desse senhor já é por demais conhecida no meio conservacionista.

Imagine que esse autointitulado professor dos brasileiros elege a Amazônia como prioridade mundial, muito acima dos desmandos climáticos que o atual presidente americano vem efetuando.

Não seria o caso desse soberbo professor se dedicar a ensinar aos seus conterrâneos, principalmente os do Meio-Oeste, que tanto contribuíram para a eleição desse presidente? Afinal de contas, como líder de uma ONG americana, o sr. Roberts deveria se dedicar aos problemas que os seus conterrâneos vêm causando para o mundo.

Vale ressaltar que o WWF Brasil vem dando uma excelente contribuição, com projetos sérios – e, até onde se sabe, não compactua com a soberba do sr. Roberts.

Há exatos dez anos, foi criado um grupo denominado Soluções da Amazônia, com o intuito de mapear as soluções que os amazônidas criaram para melhorar a qualidade de vida da população local, a fim de transformá-los em guardiões da floresta.

Está claro que, se desejamos realmente uma solução, ela terá que vir de dentro para fora. Quem está fora, se quiser ajudar, tem que ser onde e quando a população local desejar. Toda ajuda será sempre bem-vinda dessa forma.

Portanto, fica a sugestão ao sr. Carter Roberts de enfiar sua viola no saco e partir para outras pradarias que lhe dizem mais respeito, pois por aqui a sua soberba será muito bem combatida.