Se depender do otimismo da sociedade e do mercado financeiro, 2019 será um ano excelente para os investidores no Brasil. Depois de amargarmos vários anos de recessão, causado pela malfadada Nova Matriz Econômica de Dilma Rousseff, e um momento mais recente de ajuste de rota durante o governo de Michel Temer, é hora de retomar o rumo do crescimento do país.

Em termos de investimentos, o mercado que reagirá de maneira mais positiva nesse novo cenário é o de renda variável. Neste início de ano, três razões vêm à mente para acreditar que a bolsa de valores pode fazer a diferença nas carteiras dos investidores.

Primeiro, como saímos de um período de recessão econômica há pouco tempo e de maneira lenta, a indústria brasileira apresenta alta ociosidade da capacidade produtiva. Isso significa que, mesmo sem fazer novos investimentos, a indústria pode voltar a crescer ao utilizar os recursos produtivos de que já dispõe. Para isso, será necessário absorver parte da mão de obra amplamente disponível atualmente, dada a elevada taxa de desemprego – o que ajudará a estimular a economia. O reflexo dessa retomada sobre os preços das ações na bolsa será consequência natural.

Segundo, temos visto um crescimento expressivo do número de pessoas físicas com posição na bolsa de valores. Entre 2017 e 2018, segundo dados da B3, a quantidade de investidores na bolsa subiu de 620 mil para 813 mil. Ainda assim, é muito pouco. Temos cerca de 28 milhões de pessoas físicas no Brasil que pagam imposto de renda. Parte dos rendimentos desses contribuintes deve ser canalizada para investimentos, e parte desses investimentos poderia estar na bolsa de valores. O crescimento do número de investidores na bolsa é questão de tempo e será uma força importante do lado da demanda por ações.

Terceiro, e não menos importante, o Brasil está gradualmente retomando a atenção internacional e retornando ao topo das listas de mercados emergentes atraentes para o investidor estrangeiro. Em 2018, os estrangeiros fugiram em massa da bolsa: foram R$ 11 bilhões que deixaram o Brasil, o pior resultado desde a crise de 2008. Com a retomada do crescimento, a volta dos estrangeiros para a bolsa é certa, e o volume dependerá de quão rapidamente avancemos na retomada do crescimento e da solução dos problemas que nos assolam.

É claro que todas as apostas na retomada do crescimento econômico, na atração de investidores estrangeiros e na atratividade do mercado de ações no Brasil dependem de um grande tema: a famigerada reforma da Previdência. Sem a aprovação de uma reforma eficaz, não resolveremos nosso problema fiscal e enviaremos uma mensagem desoladora a investidores domésticos e externos. Mas tudo indica que estamos nos encaminhando para uma solução política aceitável. E a bolsa de valores refletirá diretamente o novo cenário benigno em que o Brasil em breve se encontrará.