Neste ano a economia trará melhores notícias. Os ajustes econômicos já realizados permitem que o crescimento seja maior, num contexto de inflação baixa e de taxas de juros em patamares historicamente baixos. A taxa de desemprego seguirá em queda, ainda que em patamar bastante elevado. Apesar de um 2018 melhor, entretanto, não há garantia de trajetória de continuidade de melhora para os anos seguintes.

De 2019 em diante, serão os resultados das escolhas que os brasileiros farão nas urnas que vão determinar o caminho que iremos seguir. A 4E projetou recentemente quais são os cenários possíveis, com suas respectivas probabilidades. O cenário mais provável é de continuidade das reformas e ajustes econômicos com impactos positivos e crescentes sobre crescimento e bem-estar da população. Entretanto, se o próximo presidente voltar a adotar uma política econômica populista, com retrocessos no processo de ajuste fiscal, voltaremos a ter uma economia em retração, com novos desequilíbrios macroeconômicos.

Um governo reformista conseguirá entregar crescimento econômico elevado com inflação baixa, pois o início do processo de recuperação ocorrerá sobre capacidade ociosa. Estimamos, nesse cenário, crescimento médio de 3,6% no período de 2019 a 2022

O cenário básico conta com a eleição de um presidente reformista, que dê sequência aos importantes ajustes feitos pela atual administração. A medida mais importante, que tem que ser feita logo no primeiro ano do mandato, é uma reforma da Previdência robusta, nos moldes do que a atual equipe econômica sugeriu no início da discussão atual. Só assim conseguiremos controlar as despesas públicas para que caibam no orçamento de forma a equacionar o atual déficit primário em um horizonte em torno de seis anos.

Esse governo reformista conseguirá entregar crescimento econômico elevado com inflação baixa, pois o início do processo de recuperação ocorrerá sobre capacidade ociosa. Haverá também forte recuperação dos investimentos produtivos e das concessões em infraestrutura. Estimamos, nesse cenário, crescimento médio de 3,6% no período de 2019 a 2022. Um cenário mais otimista pode ocorrer se essas medidas vierem de um governo com uma agenda ainda mais liberal, acompanhadas de recuperação de parte da produtividade perdida nos últimos anos. Nesse cenário estimamos um crescimento médio de 4,5% ao longo desses quatro anos.

Mas os riscos são assimétricos. A probabilidade de um populista ganhar a eleição e adotar uma política econômica intervencionista, sem resolver o atual problema fiscal via receita e despesa, não é pequena. Nesse cenário, chamado de pessimista, a forma para financiar os gastos públicos se dá com emissão monetária, trazendo de volta um quadro de inflação crescente. Vale dizer que esse governo também revogaria o teto do gasto público, para não ser atingido pelas sanções que o rompimento do teto impõe. Nesse cenário, voltaremos a observar retração da atividade econômica e aumento do desemprego.

Assim, as escolhas que fizermos nas urnas neste ano serão determinantes sobre o Brasil que queremos nos próximos anos.