Nesta terça-feira (7), o fundador do Wikileaks, Julian Assange, vazou uma série de documentos confidenciais do Centro de Inteligência Cibernética da CIA.

A maior revelação? A agência dos EUA teria usado um programa especial de ciberespionagem para hackear telefones, computadores e televisores.

Este vazamento, o maior já sofrido pela CIA até o momento, ocorre em um contexto no qual, segundo o Wikileaks, a agência "perdeu o controle da maior parte de seu arsenal de hackeamento, incluindo softwares, vírus maliciosos, trojans, sistemas de controle remoto e documentação associada.

Por isso, o arquivo com essa informação estaria circulando de forma não autorizada "entre antigos hackers e funcionários do governo, um dos quais forneceu fragmentos ao Wikileaks", dizem.

Ano zero

Dentre os arquivos vazados, que inclui 8.761 documentos e arquivos confidenciais de 2013 a 2016, está o programa "Ano Zero", que teria uma série de armas cibernéticas criadas especificamente para hackear telefones - tanto iPhones como Androids - o sistema operacional Windows e os televisores Samsung com conexão à internet. 

Este sistema seria capaz de converter esses dispositivos em microfones e câmeras ocultas para espionar seus usuários. Uma característica que afetaria principalmente o sistema Android, com 24 vulnerabilidades, seguido pelo iOS com 14 ferramentas de espionagem.

Além disso, a técnica permitiria à CIA sobrepujar a criptografia de aplicativos de mensagens como WhatsApp, Telegram e Signam, acessando os conteúdos antes de ser ativado o sistema de segurança.

"Inclui vários vírus 'zero day' locais e remotos, como o Kammer Drill, que infecta softwares distribuídos em CD/DVDs, vírus para mídias removíveis como a USB, sistemas para ocultar dados em imagens ou em áreas escondidas do disco e para manter as infecções de malware em andamento", disse o Wikileaks.

A organização garante, inclusive, que existem outras ferramentas de espionagem, que não revelará até que haja "um consenso" sobre sua natureza e sobre como deveriam ser divulgadas.

Enquanto isso, a CIA afirmou que não comentará a autenticidade dos documentos vazados. Alguns especialistas consultados pela mídia norte-americana, porém, confirmaram a autenticidade e credibilidade de seu conteúdo.

A polêmica

Esse novo vazamento ocorre apenas algumas semanas após a agência de inteligência dos EUA acusar a Rússia de ter executado uma campanha de espionagem durante as últimas eleições presidenciais no país.

Na ocasião, autoridades dos EUA acusaram o Kremlin de vazar mensagens eletrônicas privadas do Partido Democrata, divulgadas exatamente pelo Wikileaks, e de difundir informações falsas para prejudicar Hillary Clinton e favorecer a campanha do republicano Donald Trump.