Rio de Janeiro. O valor dos três principais frigoríficos brasileiros caiu cerca de R$ 5,9 bilhões na sexta-feira (17) após a Polícia Federal revelar um grande esquema para adulterar a carne, o provocou graves danos à imagem do país, um dos maiores exportadores de carne do mundo, de acordo com um estudo divulgado hoje.

Conforme publicado pelo jornal "O Globo", o valor de mercado das multinacionais JBS, BRF e Marfrig na bolsa de São Paulo, a maior da América Latina, teve uma queda abrupta após ser revelada a operação da Polícia Federal.

As ações da JBS recuaram 11,26%, enquanto os papéis da BRF caíram 7,83%.

No caso da JBS, seu valor de mercado no final do pregão na quinta-feira (16), antes da operação, era de cerca de R$ 32,7 bilhões (ou US$ 10,5 bilhões), enquanto que na sexta-feira (17) perdeu cerca de R$ 3,5 bilhões (ou US$ 1,1 bilhão) como resultado da operação.

Já a BRF, que valia R$ 30,1 bilhões (ou US$ 9,7 bilhões), perdeu R$ 2,4 bilhões (ou US$ 775 milhões) de valor de mercado.

No caso da Marfrig, que não foi citada pela polícia, as ações da companhia recuaram 2,09% porque o escândalo acabou afetando todo o setor de carnes brasileiro. A queda nas ações da Marfrig somaram cerca de R$ 100 milhões (US$ 32,3 milhões) e reduziu seu valor de mercado para R$ 3,5 bilhões (US$ 1,12 bilhões).

O escândalo causou preocupação ao governo brasileiro por causa do impacto que pode ter sobre as exportações do país, no qual a carne tem uma grande participação.

De acordo com a Polícia Federal, fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) recebiam propinas para liberar licenças sem realizar a fiscalização adequada dos frigoríficos.

Investigações preliminares apontam que produtos químicos foram utilizados para remover o cheiro de carne podre e que água era injetada para aumentar o peso da carne, que era vendida tanto no Brasil como no exterior.

Ao menos 22 empresas estão sendo investigadas, incluindo a multinacional JBS e a BRF, donas de marcas como Seara, Perdigão e Friboi. As empresas afirmam que estão cooperando com a investigação e negaram qualquer adulteração nos produtos.

De acordo com a polícia, parte dos lucros com a venda da carne adulterada acabava abastecendo os cofres do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), do qual faz parte o atual presidente do país, Michel Temer, e do Partido Progressista (PP).

A operação envolveu 309 mandatos, entre ordens de prisão, busca e apreensão e condução coercitiva.

O caso veio à tona após a denúncia de um fiscal federal do setor agropecuário, que, após descobrir o caso, foi afastado em 2014 pela Superintendencia Federal de Agricultura do Estado do Paraná.

O ministro da Agricultura afastou 33 fiscais, enquanto foram detidos de forma preventiva cerca de vinte diretores de empresas e fiscais da área de vigilância sanitária.