Brasil. Produtores de carne bovina brasileira criticaram na segunda-feira (20) a investigação feita Polícia Federal que levou à operação "Carne fraca", que revelou um esquema de adulteração da carne, afirmando que a imagem do setor foi prejudicada.

A Associação Brasileira de Carne Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) citaram que apenas 22 das mais de 500 empresas brasileiras do setor estão envolvidas, fazendo um apelo para "não generalizar"

O presidente da Abiec, Antonio Jorge Camardelli, disse que o Brasil segue todos os padrões sanitários da indústria de proteína animal, seja bovina, suína ou avícola, que é um modelo internacional, e defendeu que eventuais desvios de conduta representam uma fração mínima da produção total e devem ser repudiados e combatidos.

Na mesma coletiva de imprensa o técnico da ABPA, Ruy Vargas, afirmou que foi um erro fazer uma "massificação da informação", tentando criar uma imagem completamente negativa da carne brasileira para consumidores e compradores".

Entre as empresas investigadas estão as multinacionais JBS e BRF, donas das marcas Seara, Perdigão e Friboi. Até o momento, as empresas declararam que estão cooperando com as investigações e negaram qualquer tipo de adulteração em seus produtos.

Prisão preventiva

Segundo a polícia, parte do dinheiro obtido com a venda de carne adulterada acabava nos cofres do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), ao qual é filiado o presidente Michel Temer, e do Partido Progressista (PP).

Durante a operação foram cumpridos 309 mandatos de prisão, busca e apreensão e condução coercitiva. O caso veio à tona após uma denúncia do fiscal federal da agricultura, que após tomar conhecimento do caso foi afastado pela Superintendência Federal de Agricultura do Estado do Paraná em 2014.

O Ministério da Agricultura afastou 33 fiscais e foram detidos de forma preventiva vinte diretores de empresas e fiscais da área de vigilância sanitária.

Segundo a Polícia Federal, fiscais do Ministério da Agricultura receberam propina para liberar licenças sem a fiscalização adequada dos frigoríficos.

De acordo com investigações preliminares, eram usados produtos químicos para remover o cheiro de carne podre e injetada água na carne para aumentar o seu peso.

Esses produtos teriam sido vendidos tanto no Brasil como no exterior.