Mais de 31 mil academias espalhadas por todo o país. O mercado brasileiro de fitness exibe uma série de predicados que indica um crescimento gradual e consistente, capaz de sustentar o peso das adversidades econômicas que comprime os mais diversos setores da cadeia produtiva no Brasil. Na série histórica que considera os sete últimos anos em totais de faturamento, o setor passou de US$ 1,2 bilhão em 2010 para US$ 2,4 bilhões em 2016, dobrando sua performance em captação de receitas no período, segundo a Associação Brasileira de Academias (Acad). No comparativo 2015/2016, os resultados de faturamento foram exatamente idênticos, mostrando que o treino de força para resistir ao cenário dos grandes desafios econômicos está sendo praticado com afinco.

A região Sudeste concentra a maior parte do número de academias brasileiras com 51,86%, seguida pela região Nordeste (19,51%), Sul (16,80%), Centro-Oeste (8,03%) e Norte (3,80%). De acordo com dados da International Health, Racquet & Sportsclub Association (Ihrsa), o Brasil é o segundo colocado em número de academias no ranking mundial, atrás apenas dos Estados Unidos (EUA), quarto em volume de clientes e décimo em faturamento. “Ainda que o cenário político-econômico do país seja incerto, um número muito expressivo de academias tem se mantido neste concorrente mercado que é o fitness brasileiro. A crise chegou às salas de musculação e centro aquáticos, bem como às empresas de todo porte neste setor, mas mesmo que alguns negócios tenham sofrido ajustes, as academias têm se mantido firmes no propósito de atender da melhor forma seus clientes. Ainda há espaço para crescimento, uma vez que menos de 5% dos brasileiros estão matriculados em uma academia. O importante é o crescimento da economia como um todo e no nosso ramo a resposta pode ser rápida”, explica Gustavo Borges, presidente da Acad.

Atualmente, o mercado de academias está segmentado em três modelos de negócios: academias tradicionais (com muitos equipamentos e vários tipos de aulas coletivas), academias de baixo custo (poucos professores, muitos equipamentos e sem aulas coletivas) e o mais recente que são as academias boutiques/estúdios (atuam com uma só modalidade). “Uma tendência internacional que já chegou por aqui, ainda não fortemente estabelecida, são os estúdios especializados. Na Europa e nos Estados Unidos são cada vez mais populares as academias pequenas com foco em apenas uma atividade, como os estúdios de bike e spinning, os de crossfit ou de treinamento funcional. Falar de rentabilidade em cada um destes modelos é difícil, o maior crescimento está no low cost e nos estúdios. Academias que ficam no meio do caminho entre este grupo e as high end sofrem mais”, comenta Borges.

Fitness Brasil: educação e oportunidades 

Pontos de convergência entre a indústria de equipamentos e serviços e os proprietários, gestores de academias, clubes, estúdios e condomínios, eventos como o Fitness Brasil, considerado o maior congresso do mundo destinado aos profissionais de educação física com inúmeras palestras e cursos em diversas áreas, são propulsores fundamentais para fomentar oportunidades no setor. “O momento de transformações que o mundo passa nos mostra que temos de estar atentos a novos modelos de negócios, mesmo em atualizações em nossos próprios produtos. O foco das feiras é, sem dúvida, networking e negócios. Tivemos eventos que cresceram, como o Fitness Business Tour, e que decresceram, como a Fitness Brasil Internacional e a Ihrsa Fitness Brasil. No geral, o resultado de 2016 em relação a 2015 foi de uma queda por volta de 20% no volume de transações. Para 2017, estamos em um processo de renovação do modelo em alguns eventos, visando retomar a performance de 2015. Acreditamos que a partir do segundo semestre de 2017 estaremos em plena recuperação, tudo, é claro, dependendo da economia”, diz Waldyr Soares, presidente e fundador da Fitness Brasil.

Mesmo apesar de uma leve contração no fluxo de negócios, para Soares, este segmento também sofre as consequências do atual momento econômico do Brasil de modo menos acentuado que em outros setores. “Na indústria nacional do fitness, o que se percebe é que as empresas estão descapitalizadas e com problemas para investir em novos projetos. Quanto às marcas globais, depois de nos últimos 5 anos viverem momentos de expansão e vendas com investimentos, agora estão aguardando a retomada do mercado, que vem acontecendo de maneira muito lenta. Na verdade, os mais estruturados e com capacidade financeira são os que vão aproveitar melhor o momento”, pontua Soares. 

“Uma tendência internacional que já chegou por aqui, ainda não fortemente estabelecida, são os estúdios especializados. Na Europa e nos Estados Unidos são cada vez mais populares as academias pequenas com foco em apenas uma atividade, como os estúdios de bike e spinning, os de crossfit ou de treinamento funcional”, comenta Borges.

Grupo Bio Ritmo: expansão na América Latina 

Com uma marca que ultrapassa 1 milhão de alunos e faturamento de R$ 1 bilhão, o Grupo Bio Ritmo, formado pela rede de academias Bio Ritmo e Smart Fit, consolidou-se atualmente como a maior empresa de fitness da América Latina em menos de 20 anos de atuação. Seu presidente e fundador Edgard Corona foi eleito o empreendedor do ano em dezembro de 2016 pela consultoria Ernst & Young (EY) e irá representar o Brasil no World Entrepreneur of the Year 2017, em Mônaco. O grupo foi apontado, em um relatório elaborado pela Ihrsa, como a companhia que mais cresceu no segmento em espectro mundial nos últimos dez anos. “O mercado de fitness apresenta forte potencial de crescimento no Brasil com dados que apontam penetração de 4% no mercado brasileiro de academias, enquanto nos Estados Unidos essa taxa é de 14% e, em Nova York, é de 33% segundo a Ihrsa, ou seja, ainda há bastante espaço para crescer neste mercado”, avalia.

Presentes nas cidades de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Belém (PA) em 30 endereços, as academias da rede Bio Ritmo trabalham o conceito de atendimento personalizado e desenvolvem programas exclusivos para seus clientes, enquanto a Smart Fit, com mais de 320 unidades distribuídas em diversos Estados brasileiros, inclusive em alguns países da América Latina, se enquadra na categoria low cost , sem abrir mão de modernos aparelhos e facilidades de integração que possibilitam aos alunos um ótimo aproveitamento no uso das unidades da rede. “Reconhecemos que o cenário econômico é bastante desafiador, mas, independentemente disso, a inovação faz parte do nosso DNA. A bandeira Smart Fit segue com forte expansão e a previsão é que, em 2017, sejam inauguradas 40 novas unidades no Brasil, 30 unidades franquias, 40 lojas no México, 15 na Colômbia, dez academias no Peru, além de cinco no Chile e três na República Dominicana”, conta Corona. 

Competition: aposta no alto padrão 

Criada em meados da década de 1980, com sua primeira unidade inaugurada no bairro de Higienópolis, na cidade de São Paulo, a Competition possui hoje três unidades espalhadas pela capital e aposta em uma variada oferta de atividades com excelência e personalização no atendimento de alto padrão, reunindo em seu portfólio mais de 100 modalidades, sendo 16 delas olímpicas. A rede de academias ainda possui diferenciais como atividades relacionadas ao circo, ciclismo indoor com realidade virtual e quadra para a prática de badminton. “Um dos indicativos sobre o potencial de crescimento do setor é o aumento do interesse por qualidade de vida no Brasil, principalmente porque a atividade física, que antes era ligada somente ao fator estético, agora está vinculada à saúde e ao bem-estar”, afirma Flávia Brunoro, diretora operacional da Competition.

Para Brunoro, as grandes mudanças em termos de modelo de negócio estão nas academias de baixo custo e de nicho (bike, funcional, crossfit, entre outras). “Vejo também que as academias de grande porte (full-service) estão incrementando cada vez mais o atendimento ao cliente – acompanhamento e foco nos resultados – com grande investimento na equipe de colaboradores que, por fim, tem o objetivo de oferecer um serviço personalizado para aumentar a retenção. É preciso atentar de alguma forma para os fatores que representam problemas à expansão dos negócios do setor, principalmente com um cenário político e econômico que restringe os investimentos em saúde, em especial do público adulto, uma grande concorrência em número de academias que travam uma verdadeira guerra de preços e também com os custos de pessoal”, completa.

SoulBox: aroma de exclusividade 

Um projeto arquitetônico exclusivo em 500 metros quadrados de um espaço milimetricamente planejado. Estúdios especializados em modalidades específicas, como o SoulBox, chegam com uma proposta inovadora e fazem parte de uma tendência crescente no Brasil. Com recursos luminotécnicos inéditos e aulas que mesclam artes marciais com treinamento funcional, a alta tecnologia envolvida em todos os processos do empreendimento é atributo es-sencial para o seu negócio. “O segmento fitness é bem peculiar e sazonal, enquanto as academias lotam nas estações quentes, no inverno, mesmo com o clima ameno, a frequência cai, em alguns casos, mais do que 50%. Inauguramos oficialmente no início de janeiro deste ano, mas iniciamos a pré-venda das aulas em dezembro, alcançando a marca de mais de 4.000 aulas vendidas. Embora não tenhamos, de fato, um número de faturamento em 2016, ter iniciado as vendas da SoulBox em um período de festas e conseguir vender todas as aulas, para alunos que nem conheciam a nossa estrutura porque não tínhamos aberto o espaço ao público, superou todas as nossas expectativas. Para 2017, nossa estimativa é fechar o ano com R$ 3 milhões de faturamento”, diz Renata Vichi, sócia da SoulBox.

A venda de pacotes com número definido de aulas já consiste em um grande diferencial quanto à adesão dos tradicionais planos mensais, semestrais e anuais oferecidos por grande parte das academias. A mensuração dos resultados obtidos pelos alunos é feita através de um bracelete eletrônico que monitora os movimentos, potência dos golpes e também o gasto calórico, enviando os registros para uma central de dados. “As pessoas estão cada dia mais seletivas com seus fornecedores e isso é muito bom, dá espaço competitivo no mercado para quem quer primar pela excelência no atendimento e na exclusividade de oferta, o que permite também praticar valores diferenciados. Fomos muito conservadores nas nossas expectativas, mas tínhamos convicção de que o empreendimento seria certeiro. Nos munimos de pesquisas profundas, tanto sobre o setor quanto sobre o nosso target de consumidor, nos atentamos aos detalhes e realmente nos empenhamos para oferecermos um serviço exclusivo”, observa Vichi.