Após ser processada na segunda-feira (15) em um caso que investiga uma suposta fraude ao Estado, a presidente da associação Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, disse ter a "consciência muito tranquila" e que considera o fato de ter sido denunciada "uma honra", levando em conta que foi feita pelo atual governo e poder judiciário do país. 

"Estou muito honrada por ser processada por esse poder e esse governo. Agradeço a Macri por me dar a honra de ser processada", afirmou Bonafini em um vídeo compartilhado nas redes sociais horas depois de a notícia sobre a sua acusação ter sido publicada, como ela assegurou, "pela imprensa".

"Eu tenho uma consciência muito tranquila", afirmou, ressaltando que os membros de organizações de direitos humanos têm valores muito claros e sabem onde está o inimigo e que seguirão identificando-os. "Sabemos que o Judiciário, sobretudo o que temos agora e o da ditadura, não representam a Justiça", afirmou.

Para ela, esse é o "preço" que tem de pagar por dizer que o atual presidente, Mauricio Macri, é o seu "inimigo", por denunciar que ele e os membros do Executivo colaboraram com a ditadura (1976-1984) através de suas empresas e por se manter fiel ao projeto nacional e popular do peronismo kirchnerista.

"Nós (mães) sempre fomos muito perseguidas e não é por acaso que escolhemos ir às ruas para nos notarem e para que nossos filhos reaparecessem. Em um primeiro momento, fomos agredidas de todas as formas, trataram a gente como mães terroristas (...). Muitas vezes fomos presas", recordou. 

"Nunca deixamos de lutar e sabemos o preço da liberdade (...) Nós, as mães, decidimos trocar a vida pela liberdade da mesma maneira que nossos filhos fizeram", afirmou.

Acusação de desvio de verbas

O juiz federal Marcelo Martínez de Giorgi processou Bonafini, de 88 anos, como partícipe no crime de fraude à administração pública por gestão fraudulenta.

O caso investiga um suposto desvio de mais de 200 milhões de pesos argentinos (cerca de US$ 12,8 milhões) através do programa estatal "Sonhos Compartilhados", promovido pelo governo de Cristina Kirchner (2007-2015) para a construção de moradias sociais e administrado pela fundação Mães da Praça de Maio.

Também estão envolvidos no caso, entre outros, os líderes da fundação - os irmãos Sergio e Pablo Schoklender- e o já detido ex-secretário de Obras Públicas José López (2003-2015).

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