O jornalista mexicano Javier Valdez Cárdenas foi assassinado a tiros na segunda-feira (15) em Culiacán, capital do Estado de Sinaloa, no noroeste do México.

Ele dirigia seu carro quando foi interceptado e alvejado em plena luz do dia. O atentado ocorreu nas proximidades da sede do semanário para o qual ele trabalhava.

Valdez, fundador do semanário "Ríodoce" e correspondente do jornal nacional "La Jornada", foi premiado em várias ocasiões por suas reportagens corajosas sobre o narcotráfico e o crime organizado.

Esse já é o sexto assassinato de um jornalista no México desde o início de março, número elevado até para os padrões mexicanos. O país norte-americano é um dos lugares mais perigosos para jornalistas por causa dos cartéis da droga, sendo que a maioria dos ataques à imprensa fica impune.

Horas antes fora morto, também em um atentado, o repórter de um semanário do Estado de Jalisco, Jonathan Rodríguez, de 26 anos. Ele trabalhava no meio de comunicação que era propriedade de seu pai. A mãe dele, Sonia Córdova, subdiretora do jornal, ficou ferida no ataque e está em estado grave. Eles estavam em um carro em uma avenida de Autlán quando foram alvejados por pessoas armadas. 

Em entrevista à agência de notícias Efe, em outubro, Valdez se definiu como un caçador de histórias em "meio às ruínas" e defensor dos jornalistas "que estão partindo" de um país onde "o delinquente manda" e "o ar que respiramos não nos pertence".

Ele falou sobre a cumplicidade dos políticos com o narcotráfico, assegurou que não há liberdade de imprensa no México porque o crime organizado e os governos corruptos impõem o silêncio à bala ou com dinheiro e denunciou que "o jornalismo valente, digno, responsável, honesto" não tem o apoio da sociedade.

Segundo ele, o jornalista "está sozinho e isso fala também sobre a nossa fragilidade, porque significa que, se vêm contra nós, não vai acontecer nada. Não há um sentimento de solidariedade quando um jornalista é assassinado, agredido, ameaçado", lamentou.

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