O México captou US$ 4,7 bilhões em investimentos no setor de mineração em 2016, tanto de empresas nacionais como de estrangeiras, valor que representa uma alta em relação ao ano anterior de 1,5% (primeiro dado positivo após três anos de quedas).

Os dados preliminares foram divulgados nesta segunda-feira (27) pela Câmara de Mineração do México (Camimex).

"O setor de mineração exige investimentos vultosos, sujeitos à volatilidade dos preços dos metais e minerais com altos riscos geológicos e técnicos", afirma Sergio Almazán, diretor-geral da Camimex. O investimento em mineração no México caiu 18% em 2013, 24,8% no ano seguinte e 6,4% em 2015.

"Os investimentos caíram muito no México e infelizmente o setor da mineração não é visto como estratégico; não tem recebido incentivos que ajudem, tem havido uma política de ver mineração como um sector estratégico; não foram aplicados incentivos para ajudar o setor a se desenvolver adequadamente", disse Fernando Alanís Ortega, CEO da Industrias Peñoles.

Individualmente, Peñoles, o segundo maior produtor mundial de prata e o mais importante de bismuto metálico na América, registrou em 2016 uma receita líquida de US$ 4,34 bilhões, um aumento de 26,6% em relação ao ano anterior e registrou um lucro líquido de cerca de US$ 264 milhões.

"Para a indústria em geral, 2017 é um ano complicado pela incerteza, há uma grande volatilidade de preços e isso dificulta ter uma perspectiva mais clara do que está por vir", disse Alanis. Segundo Peñoles, o consumo internacional de metais básicos tem caído e isso gera uma pressão maior no sentido de buscar eficiência e seguir reduzindo os custos.

As dúvidas sobre os rumos da economia mundial prejudicam o planejamento das empresas. Quando existem expectativas de que a economia mundial vai melhorar, os produtores de metais básicos são beneficiados, enquanto os de metais preciosos não; no entanto, ocorre o oposto quando as perspectivas são negativas. Os metais preciosos são ouro, prata, paládio, platina e ródio. Já metais de base abrangem alumínio, cobre, níquel, estanho e chumbo.

"A indústria de mineração no México está focada em aproveitar ao máximo os recursos, com qualidade. Isso significa investir em formação, novas tecnologias e boas práticas operacionais", afirma Almazán.

Peñoles fez investimentos no ano passado para a construção e desenvolvimento dos projetos de mineração Juanicipio (Zacatecas), Rey de Plata (Guerrero), San Julián (Chihuahua) e Orysivo (Chihuahua). Por sua vez, o Grupo México continua com o plano de expansão de sua mina Buenavista, com o objetivo de posicioná-la como a terceira maior mina de cobre do mundo. Em relação aos investimentos estrangeiros, foi consolidada a El Limon-Los Guajes, da canadense Torex Gold, com um investimento de US$ 800 milhões focado na extração de ouro.