Pequim. Um vídeo que mostra um homem sendo violentamente arrastado pelo corredor de um avião da companhia aérea norte-americana United Airlines por causa de overbooking no domingo (9) causou revolta nas redes sociais.

Apenas algumas semanas após a companhia aérea United Airlines ser criticada por proibir o embarque de duas garotas que vestiam calças leggings, a empresa ganhou os noticiários de novo, no mundo inteiro, após vídeos do ocorrido serem publicados na internet.

As imagens mostram funcionários do aeroporto retirando à força um homem de 69 anos de um de seus voos. A cena ocorreu pouco antes de o avião decolar do Aeroporto Internacional O'Hare, de Chicago, com destino a Louisville. O homem, que até agora apenas teve a sua profissão revelada (ele seria médico) estava sangrando pela boca e aparece gritando no vídeo, no qual também é possível ouvir gritos de socorro de outros passageiros.

O incidente levou a um boicote na China. A United Airlines confirmou que estavam tentando acomodar quatro funcionários de uma companhia aérea associada. Segundo uma testemunha anônima, em um primeiro momento a empresa ofereceu US$ 400 em milhas, aumentando para US$ 800 depois, além de oferecer alojamento gratuito em um hotel próximo a passageiros dispostos a ceder seus assentos no voo.

Após muitos passageiros se negarem, os funcionários da companhia aérea selecionaram automaticamente quatro passageiros para que saíssem do avião. O médico idoso, que tinha características faciais asiáticas, recusou-se a sair e disse que tinha que trabalhar em um hospital no dia seguinte.

O Departamento de Transportes dos EUA já iniciou uma investigação sobre o caso. Desde o incidente, um dos agentes de segurança do Departamento de Aviação envolvidos no incidentes foi removido de seu posto.

O incidente atraiu muita atenção dos meios de comunicação chineses, chegando a figurar como o tema mais popular de toda a terça-feira nas redes sociais do país asiático. 

Entre os comentários mais populares está o de Joe Wong, um comediante dos EUA de origem chinesa que ficou famoso após aparecer nos programas de David Letterman e Ellen Degeneres. Wong pediu a seus 2,6 milhões de seguidores no Weibo (rede social chinesa) para assinarem uma petição de boicote à companhia aérea. Alguns usuários responderam afirmando que nunca mais irão voar pela companhia.

O incidente também causou a exposição de outras experiências ruins de serviço ao cliente envolvendo a empresa. Um usuário do Weibo relatou como funcionários da companhia aéres se negaram a se desculpar por extraviar sua bagagem, que sumiu em um aeroporto de Chicago. "Desde então, a United Airlines está na minha lista de exclusão aérea", afirmou.

Se o boicote aos voos se espalhar, a United Airlines poderia sofrer perdas relevantes no mercado chinês, um país no qual a companhia aérea tem feito grandes avanços nos últimos anos. No ano passado, a empresa acrescentou dois voos diretos entre China e Estados Unidos: Xi'an/Hangzhou - São Francisco.

Oscar Muñoz, o CEO da companhia, pediu desculpas pelo ocorrido em um comunicado, mas defendeu a ação dos funcionários. Ele afirmou que ficou constrangido ao "ver e escutar o que aconteceu" no aeroporto de O'Hare, ressaltando, porém, que o homem foi retirado do avião porque ignorou os pedidos dos membros da tripulação para sair e apresentou um comportamento "irascível e agressivo".

"Nossos funcionários seguem os procedimentos estabelecidos para lidar com situações como essa", afirmou. "Embora lamente profundamente a situação, eu os apoio plenamente". Após a carta se tornar pública, as críticas se intensificaram na rede Weibo, com muitos usuários reclamando de sua postura. Do outro lado do Pacífico, uma reação similar ocorreu no Twitter.