Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) apoia os governos estadual e federal, e o presidente do órgão, Fábio de Salles Meirelles, discursou durante o lançamento do Agro+ e do Agrofácil, em São Paulo. No entanto, ele elenca questões estruturais que impactam a atividade produtiva e que não podem ser esquecidas.

São muitos temas que dispensam discussão e com baixa eficiência na resolução. Meirelles destaca, por exemplo, a deficiência de infraestrutura de transporte e armazenagem; a elevada carga tributária (e os impostos em cascata); a inadequação da legislação trabalhista ao meio rural; a inapropriada estrutura de mercado que impede a comercialização por preço justo devido ao poder econômico das indústrias constituídas antes e depois da porteira; a injustiça e a insegurança jurídica na regulamentação do código florestal, na questão agrária e na demarcação de terras indígenas, dentre outros.

Esses problemas impactam de forma variada as atividades produtivas e o dia-a-dia dos produtores, entrelaçando-se com as questões conjunturais e específicas de cada cadeia produtiva. “Se por um lado existem muitos obstáculos, por outro há a responsabilidade de abastecer a população brasileira e o desafio de contribuir para a redução da fome e da desnutrição no mundo, com sustentabilidade. A dinâmica de crescimento setorial, a renovação da sociedade e a constante evolução da agropecuária obrigam a refletir sobre o futuro, políticas públicas e instrumentos necessários para manter o agronegócio e a agropecuária nos trilhos do desenvolvimento sustentável”, diz o presidente da Faesp.

Ele defende também uma política agrícola plurianual, com horizonte de quatro a cinco anos, programas setoriais permanentes, lastreados na elevação da produtividade, no ganho de eficiência, na segurança alimentar e na estabilização da renda no campo.

Para a Federação, que reúne 238 sindicatos e 322 extensões de base, o que lhe garante presença na quase totalidade dos municípios paulistas, o agronegócio irá avançar ainda mais se seu protagonista, o produtor rural, seja ele pequeno, médio ou grande, abrigado em sindicatos rurais, cooperativas ou individualmente, for atendido em suas demandas.

“Incentivado, o homem do campo gira toda a cadeia à sua volta. O Brasil continua enfrentando graves problemas políticos, econômicos e sociais, mas o país tem vocação para ser um grande player internacional, atendendo à demanda global por alimentos”, diz.

“Incentivado, o homem do campo gira toda a cadeia à sua volta. O Brasil continua enfrentando graves problemas políticos, econômicos e sociais, mas o país tem vocação para ser um grande player internacional, atendendo à demanda global por alimentos”

“Entre os principais problemas do agronegócio, vejo com preocupação a queda da arrecadação tributária no país. Ainda estamos em processo de recuperação, no qual o agronegócio é o alicerce. Debates sobre o setor são importantes para que se possa avançar em tecnologia e elevar cada vez mais a produtividade. As mudanças na política internacional tendem a ser positivas para o Brasil”, afirma.

No primeiro semestre, projetava-se que, a partir da conclusão do processo de impeachment, a economia retomaria o crescimento, mas ele avalia que não. “A gravidade das sequelas foi mal avaliada e ainda não se pode afirmar que estamos em processo de recuperação. Os indicadores macroeconômicos, a continuada queda de arrecadação tributária e a projeção de déficit nas contas governamentais, agora agravadas pela realidade dos Estados e municípios, representam um grande desafio para a nossa economia”, afirma.

A Faesp afirma que se mantém permanentemente atenta aos temas que podem impactar o desempenho da economia brasileira.