As últimas três edições do Conversando Com Quem Faz a Diferença (CCQFD), promovido pelo Global Council Of Sales Marketing (GCSM), em parceria com a AméricaEconomia, trouxe temas atuais a campo, com especialistas das áreas social e do Poder Judiciário.

A primeira-dama do governo do Estado de São Paulo, Lu Alckmin, que preside o Fundo Social de Solidariedade do Estado (Fussesp), levou ao público informações sobre a situação de risco pelas quais as famílias passam e também a busca incessante das mesmas por qualificação profissional, que neste momento de crise se acentuou. A Escola de Qualificação Profissional, que tem em seu escopo a Padaria Artesanal, a Escola de Moda, a Escola de Beleza e a Escola de Construção Civil, tem formado mais de 2.000 pessoas a cada bimestre.

Corrupção resvala no trabalhador

Na área de justiça, o CCQFD recebeu Henrique Nelson Calandra, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP). Ele falou sobre o aspecto econômico da operação Lava Jato em sua apresentação – o Trabalhador das Grandes Empreiteiras. “A situação resvalou no campo financeiro das empresas, visto que era por elas que o capital do esquema de corrupção transitava, causando um desastre nas finanças e, por consequência, o desemprego.  Não é justo punir o empregado. O fenômeno da corrupção desabou em pessoas que não têm nenhuma responsabilidade. Só na Petrobras, de 446 mil empregados em 2013, baixou-se para 186 mil em 2016. Esse número é bem maior se incluirmos as outras empresas envolvidas. Que crime cometeu um empregado dessas companhias, que perdeu seu emprego e que muitas vezes trabalha distante de suas famílias?”, questiona.

Este evento e o que teve a presença de Lu Alckmin aconteceram na sede da Desenvolve SP - Agência de Desenvolvimento Paulista, e contaram com a presença do presidente da instituição, o economista Milton Luiz de Melo Santos. 

O vandalismo na escola pública

Como administrar um orçamento que equivale a 30,5% das verbas do governo estadual na Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, com inúmeras torneiras abertas simultaneamente? Este foi o tema do ex-presidente do TJ-SP, hoje titular da pasta da Educação no governo do Estado de São Paulo, José Renato Nalini. Ele destacou, entre outros pontos, os prejuízos com o vandalismo nas escolas. “Se não tomarmos uma atitude séria estamos prevendo um futuro muito sombrio”.

De 2014 até março de 2017, foram gastos R$ 18,2 milhões para reformar escolas depredadas. De acordo com Nalini, com este montante seria possível construir 12 creches e escolas ou três grandes instituições de ensino.

As perdas com escolas inauguradas e que não puderam entrar em funcionamento foram de R$ 1,3 milhão; intervenções relacionadas a incêndios provocados nas escolas, quase R$ 8 milhões; e gastos com reposição de cabos e outros equipamentos furtados, R$ 9 milhões. “O que podemos fazer? Não é uma questão de polícia. A sociedade precisa prestar atenção nisso, primeiro porque é dever dela, é seu dinheiro que está sendo desperdiçado por conta dos desvios de conduta, e porque é uma questão de sobrevivência”, afirmou o secretário.  O encontro aconteceu na sede da Eicon, empresa que oferece soluções de inteligência com foco na tecnologia e na eficiência da gestão pública.