"Dilma tinha conhecimento de nossas doações e sabia que era a gente que doava (...) que realizava boa parte dos pagamentos do 'caixa dois' para João Santana [ex-marqueteiro de Dilma]", afirmou o ex-presidente da companhia em uma confissão vazada nesta quinta-feira (23) para a imprensa brasileira.

O empresário Marcelo Odebrecht, ex-presidente da construtora Odebrecht, disse no início do mês para as autoridades eleitorais que o ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva levantou fundos para a campanha de sua sucessora, Dilma Rousseff, que "sabia" dos pagamentos irregulares feitos pela empresa.

O Tribunal Superior Eleitoral considerou a declaração como um testemunho. O órgão investiga o suposto financiamento irregular da campanha em que Rousseff concorreu ao cargo de presidente com o vice (e atual mandatário) Michel Temer. 

De acordo com os documentos vazados pelo site "O Antagonista" e confirmado por outros veículos de imprensa, a Odebrecht também afirma que concordou em pagar R$ 300 milhões (cerca de US$ 100 milhões) a Palocci entre 2008 e 2014, mas não especificou se o dinheiro era legal.

O empresário disse que forneceu à campanha de 2014 a quantia de R$ 150 milhões (ou US$ 48 milhões) e que ao menos um terço do valor foi uma "contrapartida" em troca de medidas aprovadas em 2009 que favoreciam negócios do grupo.

Odebrecht ressaltou que Dilma também sabia que alguns pagamentos feitos pela companhiam eram entregues diretamente a João Santana, que dirigiu suas campanhas.

Ela refutou qualquer vinculação com o caso e, em comunicado, afirmou que "não tem e nem nunca teve" qualquer relação com a Odebrecht e que "jamais' pediu recursos para sua campanha e nem para financiar o Partido dos Trabalhadores (PT).

A ex-presidente pediu que a Odebrecht forneça provas e documentos para embasar suas acusações e lamentou o vazamento "seletivo, torpe e suspeito" das declarações.

Ele também instou as autoridades judiciais, incluindo o procurador-geral, Rodrigo Janot, e o presidente do TSE, Gilmar Mendes, a assumir a responsabilidade pelo vazamento de informações de um processo que tramita em sigilo.

"Dilma Rousseff não foge da luta" e "sua vida pública é limpa e honrada", concluiu a ex-presidente.

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