No sexto ano do governo de Enrique Peña Nieto, 36 jornalistas foram assassinados por realizar seu trabalho, o que demonstra a falta de eficácia dos mecanismos para a proteção da liberdade de imprensa no país.

Até este momento, sete jornalistas foram assassinados no México em função de seu trabalho. Isso faz com que 2017 seja o segundo ano, empatado com com 2015, em que mais jornalistas foram mortos no país durante o governo do presidente Enrique Peña Nieto. O ano de 2016 segue no primeiro posto, com 11 assassinatos.

Até agora na presidência de Peña Nieto, 36 jornalistas foram mortos em função do seu trabalho, o que mostra que os mecanismos para proteger a liberdade de expressão e da profissão do jornalista não demonstram eficácia, fazendo com que essa profissão no México seja de altíssimo risco.

O dia 15 de maio é uma data especialmente fatídica para o trabalho do jornalista, uma vez que neste dia foram assassinados Javier Valdez, correspondente do La Jornada e fundador do semanário Río Doce, e Jonathan Rodríguez Córdova, repórter do diário local "El Costeño Autlan".

Jonathan Rodríguez Córdova

15 de maio de 2017 - "El Costeño de Autlan", Jalisco

Jonathan Rodríguez Córdova era repórter do veículo de imprensa local "El Costeño de Autlán". De acordo com informações de Milenio Rodríguez Córdova, ele foi plagiado em pelo menos duas ocasiões. Rodríguez foi assassinado durante um ataque contra a sua mãe, Sonia Córdova, subdiretora comercial do "El Costeño" e esposa do dono da empresa. Homens armados dispararam contra o carro em que Jonathan e sua mãe estavam. Ela ficou gravemente ferida, mas sobreviveu. Já o repórter não resistiu e morreu aos 26 anos.

Javier Valdez

15 de maio de 2017 - "Ríodoce" e "La Jornada" - Sinaloa

Javier Valdez era correspondente do "La Jornada" em Culiacán, Sinaloa e fundador da revista estatal "Ríodoce". Ele cobriu por muito tempo as notícias relacionadas ao crime organizado e ao narcotráfico no Estado de origem do Cartel de Sinaloa e de um dos mais importantes chefes do narcotráfico das últimas décadas, Joaquín "El Chapo" Guzmán. Segundo o "La Jornada", Valdez apresentou no final do ano passado o seu livro "Narcoperiodismo, a Imprensa Diante do Crime e a Denúncia", o último livro de uma lista que inclui obras como "Órfãos do Tráfico" ("Huérfanos del Narco", no original em espanhol), "Mala Yerba", "Miss Narco" e "Com uma Granada na Boca". O jornalista foi interceptado por um homem armado enquanto dirigia e morreu após ser alvejado por 12 tiros.

Filiberto Álvarez

29 de abril de 2017 - "La Señal de Jojutla" - Morelos

Filiberto Álvarez conduzia o programa de rádio "Poemas e Canções" na estação "La Señal de Jojutla", no município de Tlaquiltenango, em Morelos. De acordo com veículos locais, Álvarez, de 65 anos, foi morto por cinco tiros na entrada do spa El Rollo de Tlalquiltenango, onde morava.

Maximino Rodríguez

15 abril de 2017 - "Coletivo Pericú" - California Sur

De acordo com "Animal Político", Maximino Rodríguez trabalhava para o "Colectivo Pericú", um blog de denúncias de cidadãos e notícias sobre corrupção que tinha o objetivo de se contrapor ao silêncio dos veículos de imprensa tradicionais. Ele cobria o setor policial e tinha uma coluna chamada "É Minha Opiniao" (És Minha Opinión"). Embora o periodista sempre repetisse que seu trabalho não lhe causava medo, acabou sendo assassinado a tiros na frente de uma loja.

Miroslava Breach

23 de março de 2017 - "La Jornada" - Chihuahua

Miroslava Breach era correspondente do jornal "La Jornada" em Chihuahua. Também colaborava no "Norte Digital" de Ciudad Juárez. Breach estava cobrindo as diferentes descobertas de sepulturas clandestinas nesse Estado. Ele foi assassinado por homens armados enquanto saía de casa em um automóvel. O governo de Javier Corral anunciou que identificou os responsáveis pelo assassinato, sendo que um deles foi executado pelo crime organizado.

Ricardo Monlui

19 de marco de 2017 - "El Político" e "El Sol de Córdoba" - Veracruz

Ricardo Monlui Cabrera era colunista do "El Sol de Córdoba", diretor do "El Político" e presidente da Associação de Jornalistas e Profissionais de Design de Córdoba e região. O jornalista foi assassinado na frente de um restaurante no município de Yanga, Veracruz. 

Cecilio Pineda

2 de março de 2017 - "La Voz de Tierra Caliente" - Guerrero

Cecilio Pineda Birto era diretor do "La voz de Tierra Caliente" e colaborador do "El Universal". Ele cubria casos policiais no município de Ciudad Altamirano, em Guerrero, onde foi assasinado em um lava-rápido por dois jovens em uma motocicleta que atiraram contra ele. Embora a Secretária do Governo tenha proposto a Pineda que deixasse a cidade em três ocasiões, ele se negou, apesar das ameaças de morte contra ele.