A companhia aérea brasileira Azul deu entrada em um processo formal perante a Direção Nacional de Aviação Civil e Infraestrutura Aeronáutica (Dinacia), para criar uma nova empresa aérea no Uruguai que será nomeada Azul Uruguay.

O pedido foi feito há cerca de 10 dias e agora a autoridade aeronáutica do país analisa a documentação apresentada. Assim que for concluída essa análise, o processo irá para o Conselho de Aeronáutica para que seja concedida uma permissão temporária e seja iniciada a etapa de certificação de companhia aérea de bandeira nacional, pré-requisito para iniciar a fazer voos em determinadas rotas, disse o diretor da Dinacia, Antonio Alarcón.

O pedido do grupo brasileiro inclui a solicitação para operar na ponte aérea entre Montevidéu e Buenos Aires, uma rota cobiçada e disputada por várias companhias da região, dado o seu potencial durante o ano todo. Atualmente, o trecho entre a capital uruguaia e da Argentina tem sido explorada pela Amaszonas Uruguay e pela Aerolíneas Argentinas. Até outubro passado essa rota também era operada pela Alas Uruguay, que teve graves problemas financeiros e não conseguiu evitar a falência.

Durante o final do ano passado a Amaszonas Uruguai saiu em busca de novas rotas levando em conta o fim das operações da Alas Uruguai. A empresa começou com 12 voos na rota Carrasco-Aeroparque e em outubro de 2016 pediu outros 14.

A rota também interessa à Azul, que há vários meses negocia com o governo uruguaio a instalação de um hub no Aeroporto de Carrasco com entre seis e oito aeronaves. Além disso, também planeja incorporar parte dos funcionários da extinta Alas Uruguai para suas operações locais.

O grupo brasileiro pretende cobrir a rota Montevidéu-Porto Alegre e Montevidéu-São Paulo como companhia aérea de bandeira uruguaia.

Outros players

Outro potencial interessado que se juntou ao grupo nas últimas semanas para cobrir a ponte aérea é a companhia low cost (baixo custo) Alas del Sur, uma alternativa que parece estar se consolidando na indústria aeronáutica global.

O governo argentino autorizou recentemente a Alas a operar a rota Buenos Aires-Montevidéu por 15 anos, inicialmente com uma frequência diária. A empresa pretende utilizar aeronaves Airbus A320 e Boeing 737 com capacidade para 180 passageiros. A outra empresa autorizada a fazer conexões com o Uruguai é a American Jet S.A. para a rota Neuquén-Rosario-Buenos Aires-Punta del Este.

Segundo Alarcón, até o momento não foi recebida nenhuma notificação sobre a designação de novas rotas das autoridades argentinas, o que é uma prática comum do setor.

Por outro lado, semanas atrás o Ministro dos Transportes e Obras Públicas, Víctor Rossi, disse no momento adequado serão consideradas habilitações de voos de baixo custo de e para a Argentina. "Não somos os árbitros na concorrência entre companhias aéreas, nós analisamos do ponto de vista do que soma ou não ao país", disse. Ele acrescentou que o governo "pretende promover a maior conectividade possível" para que o Uruguai "tenha várias conexões com a região e o mundo".

Os subsídios concedidos a companhias aéreas de baixo custo na Argentina ocorreram após a polêmica gerada quando o governo quis conceder as rotas para a Avianca, empresa ligada à família Macri, e para a Fly Bondi, que tinha laços com o vice-chefe de gabinete, Mario Quintana. Ambos os casos estão sendo investigados.

Com o crescimento gradual das rotas de companhias que já operam no Aeroporto Internacional de Carrasco e a entrada de novos players no mercado local, o governo está otimista no sentido de consolidar o hub regional e recuperar os níveis recordes de tráfego conquistado com a ajuda da Pluna há cinco anos.

Para acelerar o ritmo de crescimento do ano passado, em 2017 será atingido um novo teto de número de passageiros que circularão pelo principal terminal aéreo do país, quantia que ficará acima de 2,2 milhões.