O juiz federal argentino Marcelo Martínez de Giorgi disse que o Brasil "está trabalhando, atualmente, para garantir a impunidade da Odebrecht", a construtora brasileira envolvida em diversos casos de corrupção em vários países e investigada também pela Justiça argentina.

O Brasil "busca criar um compromisso em outros países para impedir o avanço em investigações penais, civis e administrativas contra a  Odebrecht e seus representantes", disse o juiz em uma entrevista publicada neste domingo (11) no jornal “La Nación”.

Martínez de Giorgi, que investiga a construtora brasileira por supostamente pagar propinas por obras da ferrovia Sarmiento, afirma que a informação que esperava que viesse do Brasil para avançar nas investigações “não chegou e não sabemos se chegará”. “Isso leva à necessidade de criarmos outra forma de investigação que nos colocará em uma rota mais complexa, o que pode levar mais tempo”, afirmou.

O soterramento da ferrovia de Sarmiento é a maior obra realizada pela Odebrecht no país, sob um contrato de cerca de US$ 3 bilhões no qual se suspeita que US$ 20 milhões foram pagos de forma ilegal.

A ação julgada por de Giorgi está sob segredo de justiça e envolve funcionários dos governos de Néstor Kirchner e Cristina Kirchner que, supostamente, cobraram propinas a empresários.

"Eu acho que o Brasil está trabalhando para garantir a impunidade da Odebrecht", afirmou o juiz.

O juiz considera que a investigação avança em âmbito local, mas "não em outros países”, e recordou que “há um compromisso do Estado brasileiro, que firmou a Convenção Interamericana contra a Corrupção e a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, que obriga os países signatários a gerar um amplo intercâmbio de informação em processos penais e que envolvam outros países”.

"Isso não se cumpre. A posição da Odebrecht está sendo privilegiada diante de compromissos internacionais. O Brasil está violando esses acordos", afirma.