A capacidade de atenção, a menos que se trate de um seguidor ardoroso de Fidel Castro, nunca foi uma habilidade humana muito destacada, mas o século 21, com sua oferta interminável de espetáculos, cada um mais bizarro que o outro, criou gerações que poderíamos chamar de “apaixonados por reticências”.

Por isso, se você quer que a publicidade de sua empresa, vídeo, projeto ou música tenha seguidores, faça-os curtos. Essa é a recomendação implícita do informe “Tendências Digitais 2017”, da comScore, uma pesquisa baseada nos hábitos de consumo dos usuários latino-americanos e nos últimos estudos regionais e globais, baseados na observação de 40 mercados digitais. “Os usuários com mais de 55 anos consomem uma maior quantidade de minutos dos vídeos que os mais jovens, que veem mais vídeos, mas de menor duração”, aponta o relatório.

Nesse caso, porém, menos pode ser mais, já que “em escala global, o total de visualizações de vídeos cresce a uma taxa anual de 2%”, mais pronunciada no caso dos smartphones. Em relação aos desktops, os usuários mais jovens consomem um percentual menor de minutos de publicidade em relação a usuários mais velhos.

Mas essa não é a única tendência a se refletir. Embora vivamos em uma época de smartphones e tablets, o velho computador de escritório continua vivo: “as conexões feitas por desktop cresceram em nível global, sobretudo na América Latina, onde houve uma alta de 11% de usuários únicos de desktops em 2016”. Por outro lado, os “Estados Unidos tiveram uma alta de 1%, enquanto a média mundial é de um crescimento de 4%”.

Ou seja, não há ganhadores, mas uma coexistência pacífica, se considerarmos as plataformas mais utilizadas: “as conexões multiplataforma manterão sua força na América Latina: por volta de 40% dos usuários da região se conectam por meio de um ou mais dispositivos”.

Tudo indica que a tendência de crescimento deve se manter em 2017, sobretudo diante da influência dos millenials, porque “eles têm uma preferência pelos dispositivos móveis, às vezes de forma quase exclusiva”. Nesse aspecto, as métricas de países como Canadá ou Inglaterra demonstram que o tipo de aparelho escolhido tem relação direta com a idade do usuário. Enquanto os jovens entre 18 e 24 anos usam, sobretudo, aparelhos móveis, os que têm mais de 35 anos passam mais tempo no desktop.

Mas não há motivos para animação. Os millenials, que permitiram a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos com sua passividade, qualquer dia desses vão despertar e se revoltar quando perceberem que a vida virtual não é tão cool quando um robô rouba seu trabalho e, quem sabe, até a sua esposa.