O CEO da YPF (maior empresa do setor de hidrocarbonetos da Argentina), Ricardo Darré, disse que irá definir neste mês de junho um plano de investimentos de cinco anos para o depósito Vaca Muerta, com uma estimativa de até US$ 4 bilhões anuais para assegurar o desenvolvimento de suas áreas, ressaltando que a empresa já atingiu um nível de competitividade semelhante à da indústria petrolífera dos EUA.

"Temos que priorizar nossos investimentos por meio de uma aposta da empresa nos recursos não-convencionais [termo que remete à produção de petróleo e gás natural de forma diferente da usualmente adotada] e com uma expectativa de investimentos, próprias e dos atuais sócios, de US$ 2,5 bilhões a US$ 4 bilhões por ano entre 2019/2020", explicou Darré.

A indústria estima que uma área de exploração de recursos não convencional tenha uma necessidade de investimento médio de US$ 1,5 bilhão.

Essa projeção de investimentos "deve incorporar a melhora dos custos em cerca de 20% e melhorar a produtividade em outros 20%" a que se propôs a empresa no ano passado para 2018, mas "não inclui o desenvolvimento das áreas previstas e que atualmente estão bloqueadas por protestos" da comunidade Mapuche, de acordo com o CEO da empresa durante uma visita às instalações da área de Loma Campana, em Vaca Muerta, onde a YPF - em parceria com a Chevron - realiza a primeira exploração não convencional em grande escala fora dos EUA.

"Estamos no mesmo nível dos maiores depósitos não convencionais dos EUA, similar às instalações de Eagle Fort, graças a uma produtividade em alta por poço com um custo baixo de desenvolvimento e produção", assegurou Darré.

Com a baixa nos custos, que permite um lucro médio de US$ 8,1 milhões por poço, a empresa chegou ao break even  - ou seja, o ponto de equilíbrio acima do qual se obtém lucro -, nível que surpreendeu o mercado e ainda mais após a YPF anunciar o valor do barril abaixo de US$ 40, mas Darré assegura que "pode continuar baixando forem trabalhados vários aspectos de Vaca Muerta".

Além do baixo custo, Darré disse que a YPF quer "acelerar o desenvolvimento de Vaca Muerta para que o local forneça 50% do gás em 2021 e 60% do petróleo que o país irá precisar em 2020". "Temos que acionar o turbo e vamos ver muitas outras empresas interessadas em investir", disse o CEO ao antecipar que a YPF, no final de junho, começará a definir seu plano de investimentos para os próximos cinco anos.

Darré propôs aos responsáveis ​​pelos recursos não convencionais desenvolver "uma pesquisa em cada uma das 19 áreas onde a YPF opera e outras nove nas áreas em que participa como parceira para reunir informações suficientes para realizar um plano de investimentos global para os próximos cinco anos". Entre as áreas para se explorar estão Salinas del Huitrin, Bajo del Toro, Cerro Arena, Aguada de la Arena, Bandurria Sul, Bajada de Añelo, La Ribera I, Canto Mangrullo, sendo que em algumas já foram feitos poços de exploração para avaliar a formação, além de ter sido colocada em produção, há um par de anos, as área de Loma Campana, em parceria com Chevron, e de El Orejano, com a Dow.

Atualmente, a YPF conta em sua gestão não convencional de Neuquén com 470 pessoas da própria fábrica e 3.500 de empresas de serviços, números de emprego que irão se multiplicar de acordo com o desenvolvimento e investimento nos próximos anos.

"Também é necessário discutir a realização de projetos de infraestrutura para melhorar o transporte ferroviário Bahía Blanca-Plaza Huincul - o que facilitaria o transporte de insumos básicos, como equipamentos e tubos - e a ampliação da rede de gás, até temos rotas em condições" para um tráfego que está começando a ser maciço em torno da área de extração de Loma Campana.

O CEO da companhia também destacou os avanços em termos de segurança, com índices de frequência de acidentes que caíram de 1,89 por cara milhão de horas trabalhadas em 2013 para 0,74 em 2016 e 0,64 até agora em 2017.

"É um excelente nível de segurança, estamos orgulhosos não só perante a sociedade, mas também em relação ao mercado do petróleo, porque isso nos coloca no mesmo patamar das maiores empresas do setor no mundo, que registram índices entre 0,5 e 0,7, mas com a diferença que a YPF está em pleno desenvolvimento de áreas e todas em terra".