O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e a chefe de Política Exterior da UE, Federica Mogherini, instaram à Turquia na noite do domingo (15) para alcançar um consenso nacional para aplicar as grandes mudanças apesar dos resultados do referendo. Nenhum demonstrou nenhuma emoção diante dos resultados, tampouco parabenizaram o ganhador. Preferem esprar a análise de observadores eleitorais da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) no processo.

"A reforma da Constituição será realizada para verificar se está de acordo com as obrigações da Turquia como país candidato para aderir à UE", afirmaram ambas as instituições europeias em Bruxelas. 

Parlamento da UE se opõe. Em Novembro de 2016, o Parlamento Europeu já tinha decidido suspender as negociações de adesão da Turquia. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, chegou a chamar políticos europeus de nazistas, mas os Estados-membros se recusaram a responder.

Após a vitória de Erdogan no referendo de domingo, é provável que não se chegue a um acordo. O pedido da Áustria para cancelar todas as negociações está ganhando adeptos.

Por sua vez, a chanceler alemã, Angela Merkel, manteve até agora a sua posição formal sobre a adesão da Turquia, devido ao papel que cumpre Ankara no acordo sobre os refugiados. Além disso, foi reduzido o fluxo de refugiados para a Grécia e na rota dos Balcãs.

Os turcos podem entrar na União Europeia livremente no futuro, assim que a Turquia cumpra as últimas condições para isso. Que essas condições se cumprar após o triunfo de Erdogan no referendo é ainda um tema incerto.

"Negociacões desonestas". O vice-presidente do Parlamento Europeu, Alexander Lambsdorff, pediu coerência à UE para pôr fim às negociações: "As fantasias presidenticais todo-poderosas de Erdogan indicam claramente as grandes diferenças com os valores fundamentais da União Europeia. É hora de acabar com as desonestas negociações de adesão da Turquia e traçar novas regras para a relação com esse país".