A incorporadora JOY VR, com sede no bairro da Lapa, em São Paulo, foi vítima de fraude em um esquema de venda ilegal de apartamentos que pode chegar a mais de R$ 3 milhões.

O crime teria sido praticado pelo próprio administrador da empresa (agora afastado do cargo), Luís Fernando Pinto, que teria desviado os valores de vendas da JOY VR para a conta corrente de sua empresa particular, a AGL, outra incorporadora que atua no mercado paulista.

Os donos da JOY VR desconfiaram da situação quando foram procurados por uma cliente, que informou aos sócios da empresa que sua família foi orientada a fazer o pagamento de parte do preço de um apartamento diretamente na conta corrente de Luís Pinto.

A cliente entregou o extrato do depósito como prova da transferência eletrônica de R$ 100 mil diretamente para a AGL, sendo que a quantia deveria ter ido para a JOY VR. Ao tomarem conhecimento do fato, os sócios da incorporadora procuraram um advogado e fizeram um boletim de ocorrência.

A investigação criminal, conduzida pela 23a DP, apurou diversos desvios financeiros e revelou que a AGL vendeu apartamentos como se fosse a proprietária dos imóveis, ou seja, o dono da AGL aproveitou-se do cargo de administrador da JOY VR para vender unidades pela AGL como se a sua empresa fosse a dona do empreendimento.

As fraudes foram tantas que o juiz da 6a Vara Criminal do foro da Barra Funda quebrou o sigilo bancário de Luís e de todas as empresas do Grupo AGL.

“Agora é possível rastrear o dinheiro desviado”, declara Nacir Sales, advogado que cuida do caso contra Luís Pinto em favor da JOY VR e dos sócios lesados.

A Justiça determinou o afastamento de Luís do cargo de administrador após pedido do advogado e o juiz da 12a Vara Cível de São Paulo nomeou uma interventora judicial para a empresa com o objetivo de combater as fraudes praticadas pelo administrador afastado.

“O administrador afastado, lógico, nunca outorgaria procuração para a empresa processar ele mesmo, por isso foi importante afastá-lo antes de seguir com o caso”, diz Nacir Sales.

A empresa agora está sob o comando da interventora Elaine Lemes. “A honra de ser merecedora da confiança do juízo, a satisfação dos clientes com a solução de pendências e eminência de recuperação do dinheiro e dos bens desviados, esta é a motivação para o meu trabalho”, afirma Lemes.

O administrador afastado ainda descumpre ordem judicial, não devolvendo à empresa documentos essenciais ao negócio, razão pela qual as vítimas aguardam decisões da Justiça que podem ocorrer já nos próximos dias.

Luís Fernando Pinto foi procurado pela reportagem, mas não quis se manifestar.