A alta empregabilidade sempre foi um fator determinante para a grande busca pelos cursos de ciências contábeis ao redor do país. De fato, mesmo no cenário de crise que estamos vivenciando, o mercado de contabilidade continua aquecido, sobretudo devido a amplitude do setor, que possibilita aos profissionais da área o desempenho de diferentes funções dentro de uma empresa.

Somada a estes pontos, uma mudança na percepção dos gestores quanto ao papel do contabilista em uma empresa fortaleceu ainda mais o exercício de nossa profissão na última década. Como veremos a seguir, em muitas empresas, o contador passou a assumir uma posição estratégica de suporte na tomada de decisões do negócio.

O contabilista e o apoio aos gestores

Um dos efeitos positivos das crises econômicas – sim, eles existem – é fazer com que nos atentemos para o essencial, ou seja, para aquilo que realmente contribui para o crescimento de uma empresa

Um dos efeitos positivos das crises econômicas – sim, eles existem – é fazer com que nos atentemos para o essencial, ou seja, para aquilo que realmente contribui para o crescimento de uma empresa.

Justamente por isso, quando superamos um momento de instabilidade, a tendência é que fiquemos mais resilientes, uma vez que conhecemos melhor nossos pontos fortes, fraquezas e quais as ferramentas podem nos auxiliar na hora que surgem obstáculos.

Feita esta observação, não é exagero dizer que, atualmente, o poder de influência dos contadores em uma organização é muito mais significativo do que há alguns anos. Primeiramente porque grande parte do meio empresarial percebeu a importância da contabilidade no processo de tomada de decisões, objetivando a redução de riscos e custos para uma organização. Isso é evidente, uma vez que os contadores dispõem do conhecimento sobre a posição patrimonial e financeira de um negócio e são capazes de interpretar os fenômenos que geram impactos na organização como um todo.

Em segundo lugar, porque a própria visão de gerenciamento empresarial está em processo de transição. Se antes, o que tínhamos nas companhias eram departamentos isolados, atuando de modo quase que independente, hoje, setores se interligam em rede visando o compartilhamento de informações estratégicas e a execução de projetos incomum.

Graças a isso, pensando nos contadores, é cada vez mais corriqueiro vê-los atuando em conjunto com advogados tributaristas, engenheiros de produção, administradores e até com equipes de recursos humanos, seja para gerirem projetos como os de Compliance, Governança Corporativa, Planejamento Tributário, etc., seja para o simples - mas fundamental - alinhamento de informações.

Múltiplas possibilidades profissionais

Vale salientar ainda que parte da valorização do profissional contábil nos dias atuais tem como razão a multiplicidade de cargos que ele pode exercer em uma companhia, conforme o seu nível de especialização.

Controller, diretor financeiro, analista, gerente de compliance, head de áreas tributárias ou contábeis, gestor financeiro. Estas são apenas algumas das funções compatíveis com a formação em contabilidade, as quais, de acordo com reportagem recente do Portal Exame, estão entre as carreiras mais promissoras de 2017.

As exigências para se destacar no mercado

Não se pode deixar de frisar aqui algumas das exigências do mercado no que concerne a atividade contábil. Considero três pontos especialmente relevantes:

• Formação

Buscar uma formação sólida, antenada com as novas demandas do ambiente de negócios brasileiro e também com as normas de contabilidades atuais, é o primeiro passo para conquistar um espaço frente a concorrência.

• Atualização

Acompanhar as mudanças nas normas contábeis é apenas uma das exigências de nosso setor. Quando falamos em atualização no plano contábil, ela envolve tanto a atenção às novas soluções e ferramentas digitais que otimizam nosso trabalho, mas principalmente em relação a atualizações de conhecimento quanto as regras contábeis internacionais (IFRS) que são a base da contabilidade brasileira na atualidade.

• Suficiência

O Exame de Suficiência do CFC (Conselho Federal de Contabilidade) é um importante instrumento para avaliar o nível de expertise de recém-formados na área. Do mesmo que em profissões como o direito ou medicina, o exame é obrigatório, ocorre duas vezes ao ano e envolver questões presentes no cotidiano dos contadores.

Para concluir, gostaria de frisar que o próprio contabilista deve reconhecer o valor de seu trabalho. Só assim poderá vencer os desafios diários que lhe serão apresentados e construir uma verdadeira trajetória de sucesso.  

Carlos Mihyahira - sócio-fundador da Grounds, empresa de consultoria inteligente especializada nas áreas contábil, tributária, trabalhista, previdenciária e financeira