Um dos principais temas globais é a insegurança, o aumento da violência e do crime. E a América Latina não é exceção.

Sabemos que a tecnologia facilitou muitos aspectos de nossa vida, está envolvida em vários avanços (marketing, serviços, medicina, etc.) e que a partir da geração, coleta e análise de dados hoje em dia as instituições governamentais e empresas sabem muito mais de nós: nossas preferências, hábitos de consumo, localização e outros dados.

Hoje a tecnologia nos permite utilizar a informação disponível para melhorar as políticas de segurança pública.

A denúncia pode ser feita por diversos dispositivos (telefones, computadores, smartphones) e canais (redes sociais), podem ser criadas bases, estatísticas e pesquisas em tempo real, e se pode prever os padrões de comportamento e mesmo a reincidência no delito.

Big Data ajuda a prever onde ocorrem crimes

Em 2011, a polícia de Los Angeles usou algoritmos para tentar prever os locais onde iriam ocorrer os crimes antes que eles ocorressem.

Os testes foram bem sucedidos e o departamento de polícia continua lutando contra o crime com a ajuda da Big Data.

Tudo começou com um projeto piloto envolvendo a aplicação do modelo matemático de Moher (professor na Universidade de Santa Clara, na Califórnia), que foi originalmente concebido para prever tremores secundários de terremotos.

O objetivo era prever as áreas onde era mais provável que um crime ocorreria.

Os policiais foram designados para uma área de 152 pés quadrados, e durante os seus turnos os agentes foram instruídos a patrulhar suas áreas da forma mais detalhada possível e assim identificar atividades criminosas ou evidências de que estavam prestes a ocorrer.

Tudo isso a partir das previsões que fazia o algoritmo em um intervalo de 12 horas.

O teste piloto foi monitorado em tempo real pelo centro de crime em Los Angeles.

Inicialmente, os funcionários não estavam confortáveis ​​com um algoritmo determinando onde eles deveriam patrulhar e estavam relutantes em usar a tecnologia, mas a partir do momento que tiveram provas de que as taxas de crimes estavam começando a cair, ficaram convencidos da sua utilidade.

Atualmente, o modelo é atualizado de forma contínua para novos crimes para os quais se produzem previsões mais precisas.

Em 2014, houve uma redução de 33% nos roubos, 21% nos crimes violentos e 12% em crimes relacionados à propriedade.

Na América Latina temos informações que podem ser usadas para implementar mecanismos de prevenção e reação à criminalidade:

· Geolocalização de denúncias. Identificação de áreas de risco e criação de um mapa do crime.
· Identificação de veículos roubados a partir de dados de câmeras de segurança.
· Canal de denúncias em tempo real e envio de informações por meio de dispositivo móvel.
· Localização adequada de unidades de apoio, carros de polícia e ambulâncias.
· Integração de informações entre os diferentes níveis de governo responsáveis ​​pelo combate ao crime.

Dados de criminalidade não apenas ajudam a prevenir que o crime aconteça, mas também para compreender o contexto maior de por que o ato ocorre, isto é, por meio de uma visão holística é possível entender o delito.