Se nos últimos anos, toda vez que um brasileiro usasse a palavra crise, recebesse uma moeda de R$ 1, nosso país seria a maior potência econômica da humanidade.  É verdade que é sempre melhor adotar uma postura otimista em relação à vida. Porém, também é verdade que não podemos nos iludir e ignorar que o Brasil está atravessando um dos momentos mais intrincados de sua história recente.

Talvez o período mais turbulento já tenha passado. As perspectivas são mais animadoras. Ainda assim, não se pode subestimar a capacidade de resistência de uma crise generalizada como a que nosso país tem enfrentado. A crise é uma realidade. E o que esses momentos difíceis podem nos ensinar? Qual o valor pedagógico da crise para o mundo empresarial? Quando a tempestade amainar, o que teremos aprendido?

Uma das principais lições que os recentes momentos críticos têm a ensinar é a importância vital do fluxo de caixa para a saúde financeira de uma corporação. Como disse o investidor americano Fred Adler, “felicidade é um fluxo de caixa positivo”.

“Muitas vezes a névoa dos momentos de turbulência encobre aquilo que uma empresa tem de mais valioso: o capital humano. Não permita que a crise te impeça de valorizar as pessoas”

Para muitos especialistas, o fluxo de caixa é o principal recurso de gestão financeira para garantir a sobrevivência de uma empresa.  O acompanhamento minucioso, detalhado e constante deste controle financeiro é fundamental para o sucesso de uma corporação.  Quantas empresas têm naufragado por negligenciar esse passo primordial.

O monitoramento contínuo do fluxo de caixa permite que se saiba o que fazer em momentos de dificuldade.  Quem acompanha o fluxo de caixa possui um retrato preciso da situação da empresa e consegue traçar estratégias que minimizem o impacto da crise.  O jornalista Armando Nogueira dizia que o jogador de futebol normal vê a jogada, enquanto o craque antevê. O fluxo de caixa possibilita que se anteveja, se antecipe ações. Ter pleno conhecimento do fluxo de caixa e usá-lo para melhorar o desempenho da empresa é o que diferencia empresas comuns de empresas vencedoras.

Outro ensinamento que a crise nos relembra é a relevância das pessoas. Um erro cometido com muita frequência em tempos de adversidade é olhar apenas para os números e desconsiderar os indivíduos. Muitas vezes a névoa dos momentos de turbulência encobre aquilo que uma empresa tem de mais valioso: o capital humano. Não permita que a crise te impeça de valorizar as pessoas. Platão disse: “Não espere uma crise para descobrir o que é importante na sua vida”.

Cuide bem de seus colaboradores. Eles são a parte mais essencial do seu negócio. Escute seus funcionários. Seja transparente e leal com todos. Incentive-os a se capacitarem. Não se canse de elogiá-los de maneira sincera. Ajude-os a melhorarem naquilo que ainda precisam desenvolver. Coloque as pessoas certas nas funções certas.

Outro dia, em uma livraria, vi um livro que era uma espécie de manual de sobrevivência na selva. Parecia ser muito útil. Ainda não existe um manual infalível para uma empresa sobreviver em tempos de crise. Mas monitorar o fluxo de caixa e valorizar as pessoas já é um começo promissor.

Elmano Nigri - Presidente da consultoria Arquitetura Humana