No filme Do Que as Mulheres Gostam, lançado no ano 2000, o personagem vivido por Mel Gibson, inexplicavelmente passa a ter o poder de ler a mente das mulheres.  O personagem de Gibson usa esse inesperado dom para descobrir o que sua chefe pensa sobre ele.

Ninguém mais precisa sonhar em ter a capacidade de adivinhar os pensamentos dos seus líderes. O feedback é a ferramenta mais eficaz para que os gestores expressem sua avalição dos funcionários.

No mundo ideal, o feedback é uma conversa franca, objetiva e respeitosa em que o chefe transmite aos funcionários os pontos fortes e os pontos a serem melhorados. O colaborador ouviria tudo com atenção, não levaria nenhuma observação para o lado pessoal, se esforçaria para se aprimorar e agradeceria a oportunidade que aquela conversa proporcionou para que ele se tornasse um profissional melhor. A conversa se encerraria e os dois lados sairiam satisfeitos. No mundo encantado da teoria as coisas seriam assim. Já no mundo real...

Muitas pessoas apresentam certa resistência ao feedback. Alguns gestores guardam recordações negativas porque suas palavras de avaliação foram distorcidas. O que foi apresentado com a intenção de assinalar um comportamento ou situação que precisava ser melhorado é encarado por quem ouve como uma crítica infundada e uma perseguição pessoal.

Já alguns funcionários possuem alguns “traumas” em relação ao feedback, porque ouviram palavras rudes, injustas e apresentadas de maneira a só reforçar aspectos negativos sem que fosse mencionado nada de positivo. 

Comunicação é o que as pessoas entendem. Nunca me esqueço dessa máxima. Em geral, quando há ruído no processo comunicativo, a responsabilidade é de quem fala. O gestor deve ser muito claro, preciso e escolher com muito critério as palavras e o tom de voz adequado em uma conversa avaliativa com os colaboradores. Só a boa intenção não é suficiente. O avaliador precisa se comunicar com clareza. Um erro ainda comum em alguns gestores é a tendência a generalizar comportamentos. Rotular alguém em vez de apontar questões específicas. “Você é impontual” é diferente de “tenho notado alguns problemas com pontualidade”.

O escritor alemão Johann Goethe afirmou: “falar é uma necessidade, escutar é uma arte”. Que a necessidade e a arte se encontrem em nossos feedbacks.

Já quem recebe o feedback não pode cair na armadilha da vitimização. Não deve adotar uma postura defensiva.  O amadurecimento e o desenvolvimento pessoal e profissional acontecem quando se reage com equilíbrio a verdades pertinentes, mas nem sempre agradáveis. Ouvir com humildade, com disposição de aprendiz, ajudam a tornar o feedback realmente produtivo.

Feedback não é monólogo. Além de falar, o gestor deve dar a chance do avaliado expressar seu pensamento. O gestor deve ser uma referência de alguém que também sabe ouvir.  Outro fator que contribui para a efetividade dessas avaliações é sua frequência. Normalmente, as conversas mensais apresentam melhores resultados.

O escritor alemão Johann Goethe afirmou: “falar é uma necessidade, escutar é uma arte”. Que a necessidade e a arte se encontrem em nossos feedbacks.