Desde 2005 a meta de inflação no Brasil é de 4,5%. Considerando que o mesmo patamar foi definido para 2018, serão 14 anos com a mesma meta. Destes 12 anos já ocorridos com a atual meta, cumprimos uma inflação próxima ao centro por apenas duas vezes, em 2007 (4,5%) e em 2009 (4,3%). Apenas uma vez a inflação ficou sensivelmente abaixo do centro (em 2006, com taxa de 3,1%). Nos demais nove anos, a inflação ficou mais alta, sobretudo nos últimos sete anos (2010 a 2016), sempre perto do teto de 6,5%, com exceção de 2015, quando o IPCA estourou o teto e atingiu 10,7%.

Este ano voltamos a ter um quadro inflacionário bem-comportado, e pela terceira vez, desde que a meta é 4,5%, teremos uma taxa perto do centro da meta, ou ligeiramente abaixo dela. Diante deste quadro, com a volta de uma diretoria ao Banco Central que se preocupa em deixar a inflação no centro da meta, começou um debate sobre uma possível redução da meta para 2019, para 4,25% ou 4%.

Uma das razões desta discussão é que a meta de inflação no Brasil pode ser considerada alta. A maior parte dos países emergentes que utilizam o sistema de metas de inflação busca uma taxa de 3% ao ano. Os países desenvolvidos, em sua maioria, buscam uma taxa ainda mais baixa, de 2% ao ano. Assim, com a normalização da nossa economia, é natural que o Brasil possa caminhar para taxas mais baixas no longo prazo.

Esta decisão para 2019 será tomada em junho pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Decidem pela meta três membros do governo, o presidente do Banco Central, o ministro da Fazenda e o ministro do Planejamento. Sabe-se, entretanto, que a opinião do presidente da república costuma ser determinante no voto dos três membros do CMN. Cabe assim, aos ministros, tratar de convencer o presidente de qual é a melhor decisão.

Temos hoje uma situação de que o Banco Central parece ser favorável à redução da meta. De fato, em termos técnicos, parece ser um bom momento. A inflação em junho estará perto ou abaixo de 4%, e uma redução num contexto de inflação baixa gera menores custos para a mudança. Uma das consequências visíveis deste baixo custo com a redução da meta será um rápido ajuste das expectativas de inflação feitas pelo mercado financeiro para o novo patamar desejado pelo governo, num contexto em que temos alta credibilidade do Banco Central. Mas isso não quer dizer que não existem custos para reduzir a meta. E estes custos significam ter uma política monetária mais restritiva (ou menos expansiva) em 2018, justamente um ano de eleições presidenciais.

Assim, por mais que ao Banco Central faça sentido trazer o debate e as argumentações de racionalidade econômica para a redução sejam fortes, em termos políticos não parece fazer sentido reduzir a meta de inflação neste momento. E como temos outros dois votos, dos ministros da Fazenda e do Planejamento, que devem levar em consideração estes custos políticos, não parece provável a mudança de meta neste momento. A discussão é saudável e bem-vinda, mas antes de mudar a meta seria prudente esperar o cumprimento por um ou dois anos, dado que faz sete anos consecutivos que não cumprimos nossa meta de inflação.