Em 1992 reinava uma atmosfera de entusiasmo: a Europa havia decidido se unir mais nos níveis econômico e político. Inclusive era esperado que que o processo levaria à criação dos Estados Unidos da Europa.

O euro, a moeda em comum, seria o símbolo dos europeus, uma ideia fantástica para a época.

A fim de tornar realidade a união monetária e tranquilizar os críticos da época, foram feitas violações desde o início.

Hoje precisamos de um novo realismo: em vez de pedir a integração a qualquer preço, deve haver uma cooperação para resolver problemas específicos.

Os critérios de estabilidade foram violados algumas vezes, também pela Alemanha, sem grandes consequências.

Tornou-se padrão ignorar violações das regras. E quem criticou esta foi criticada por ter a mente muito quadrada.

Hoje precisamos de um novo realismo: em vez de pedir a integração a qualquer preço, deve haver uma cooperação para resolver problemas específicos.

Quanto à moeda comum, isso significa uma nova disciplina em relação aos critérios de estabilidade. De certa forma, isso significaria voltar à ideia original de Maastricht.

Após 25 anos, após várias rodadas de expansão e uma grave crise financeira e da dívida, ainda temos o euro, mas ele está sob forte pressão.

Ninguém pode garantir que a moeda comum vai sobreviver no formato atual. E, a nível político, nada é como antes. O "brexit" é apenas o sinal mais visível de que em toda a Europa há forças que querem acabar com as ideias de Maastricht.

Nas instituições europeias, mas também em muitos governos, especialmente nos antigos países da União Europeia, subsistem os reflexos habituais.

A resposta a todas as crises é exigir "mais Europa". Isso poderia ser ouvido tanto no auge da crise da dívida como agora, após a eleição de Donald Trump, que despreza a União Europeia. As chamadas são cada vez mais desesperada.

"Mais Europa" não representou sempre um avanço

Por que muitos europeus não querem mais ouvi-las? Porque eles sabem muito bem o que "mais Europa" pode significar.

Dois exemplos: durante anos, os governos dos países endividados, como Grécia e Itália, pedem "mais Europa".

A princípio, isso soa bem, mas isso significa que as pessoas de países sólidos mas não necessariamente ricos deveriam pagar pela má gestão dos outros. No caso da Grécia, inclusive um país que nunca deveria ter sido aceito no clube do euro.

Além disso, a chanceler alemã, Angela Merkel, pediu "mais Europa" quando exigiu que todos os países da UE acolham imigrantes, incluindo países que nunca tinham acolhido refugiados.

Merkel abusou da ideia europeia para alcançar seus próprios objetivos morais. Por isso, não deve surpreender o retumbante fracasso de seu plano.

Essas decisões equivocadas danificaram a ideia europeia que, por si só, não é equivocada. É óbvio que só unido este pequeno continente, composto por tantos países, poderá se import no mundo.

Um novo realismo

Atualmente precisamos de um novo realismo: em vez de pedir a integração a qualquer custo, deve haver uma cooperação para resolver problemas concretos.

Quanto à moeda comum, isso significa uma nova disciplina em relação aos critérios de estabilidade. De certa forma, isso significaria voltar à ideia original de Maastricht.

No que diz respeito à questão dos refugiados, há tempos uma maioria na Europa defende focar na luta contra a imigração ilegal.

A Europa tem de apresentar resultados sobre o assunto se não quer deixar de ser relevante para os cidadãos.

A euforia de Maastricht passou. Quando o acordo foi assinado, quase ninguém colocava a "Europa" em dúvida. Mas não é errado questionar o que é aparentemente óbvio. Apenas assim poderemos obter respostas. Seja como resultado de entusiasmo desenfreado ou depois de uma análise sóbria, o fim virá à mesma conclusão: é preciso Europa.