Assistindo a um jogo de futebol com um amigo, ele fez o seguinte comentário se referindo a um badalado jogador internacional:

– Não sei como podem considerar esse moço um bom jogador. Ele não dribla, não cabeceia bem e tem dificuldades para jogar coletivamente. Se ele é considerado craque é porque já não se fazem craques como antigamente.

Talvez meu amigo seja apenas um saudosista do futebol do passado. Mas comentários assim são ouvidos em muitas outras áreas. Quem não conhece alguém que vive dizendo que as músicas de hoje em dia são muito inferiores às belas músicas de décadas atrás?

E quando o assunto é gestão de pessoas, qual será a avaliação que devemos fazer? Serão os gestores atuais mais ou menos competentes do que os gestores mais experientes? A gestão de pessoas feita atualmente é melhor hoje ou, parafraseado meu amigo, pode-se afirmar que “já não se fazem gestores como antigamente”?

“Adequação às necessidades atuais e utilização de recursos mais eficientes são características de bons gestores, seja qual for a sua data de nascimento”

Quando sou indagado com questões como essas, gosto logo de esclarecer que não se deve confundir estilo de gestão com idade cronológica. Conheço muitos gestores com mais de 50 anos com ideias e métodos muito mais alinhados com os tempos atuais do que outros, muito mais jovens, mas com postura mais anacrônica. Adequação às necessidades atuais e utilização de recursos mais eficientes são características de bons gestores, seja qual for a sua data de nascimento.

Feito esse primeiro e importante esclarecimento, o que de fato mudou na gestão de pessoas ao longo dos últimos anos?

Existe uma frase que era ouvida com alguma frequência antigamente e que, ainda bem, hoje em dia soaria como algo absurdo: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Se há uma característica que deve ser valorizada sempre, mas que nem sempre foi assim, é a coerência.  A época dos gestores que exigiam comprometimento dos colaboradores, mas agiam de maneira contrária ao que pregavam já passou. Ser coerente é um dos principais atributos de um líder antenado com seu tempo.  Uma boa liderança é exercida pelo exemplo. As palavras devem caminhar em harmonia com as ações.

Outro fator que passou a ser mais valorizado de um tempo pra cá é a noção de que o principal valor de uma empresa é o capital humano. Gestor de pessoas deve gostar de...pessoas. Parece óbvio, mas nem sempre foi assim. Em um passado não tão distante, projetos, métodos operacionais e metas a serem alcançadas eram consideradas as coisas mais importantes de uma corporação. Essa percepção mudou.  Os bons gestores reconhecem no ser humano a principal razão de existir de uma empresa. Vejo com muita satisfação o empenho dos líderes em conhecer melhor o perfil comportamental dos seus funcionários, saber quem são, como pensam e como a empresa pode utilizar cada um na área em que realmente possam se sentir mais úteis e mais felizes. O bem-estar dos colaboradores é uma preocupação constante nas melhores empresas.

Pensar que tudo no passado era excelente é tão insensato como achar que tudo que é moderno é ruim. Um bom gestor é aquele que não despreza os ensinamentos do passado, aproveita as lições do presente e está preparado para construir um futuro ainda melhor.