Lembram-se que já comentamos aqui que existem comprometimentos de grandes fundos e investidores para desinvestimentos na economia fóssil da ordem de US$ 5 trilhões nos próximos cinco anos? Pois bem, eles desde já estão em busca de projetos verdes para investirem. Portanto, se você deseja investidores para o seu projeto, torne-o genuinamente verde.

Um projeto verde essencialmente deve ter os seguintes fundamentos:

Fontes de redução: por exemplo, a diminuição da poluição e de resíduos, mudando métodos de produção e consumo.

Sustentabilidade: esforços para encontrar produtos que atendam às necessidades da sociedade, com métodos que possam continuar a serem usados no tempo sem devastar os recursos naturais.

Inovação: foco no desenvolvimento de tecnologias alternativas que se mostrem amigáveis ao meio ambiente.

Cradle to Cradle design: um planejamento que permita criar produtos que possam ser reciclados ilimitadamente – este é um princípio básico da economia circular.

Viabilidade: deve-se levar em consideração que os produtos e serviços focados possam ser implementados rapidamente.

Existem muitos setores que ultimamente têm chamado a atenção dos investidores, entre os principais estão:

Energia: sem dúvida é o setor mais procurado, principalmente aqueles com foco no desenvolvimento de combustíveis alternativos.

Nanotecnologia Verde: projetos que consistem na manipulação de vários nanomateriais que possam transformar a maneira que os produtos são manufaturados.

Química verde: invenções, desenvolvimento e aplicações de processos e produtos químicos que são desenhados para eliminar substâncias perigosas.
Um alerta: os investidores já estão bastante “antenados” na verificação de projetos em detectar os chamados greenwashing, ou seja, aqueles que se mascaram de verde, mas na realidade não são.

Portanto, mãos à obra. Estruturem bons projetos verdes, o capital verde os aguarda.

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Fundo mira o Brasil, diz CEO da Fundação Leonardo Di Caprio

Terry Tamminen, CEO da Fundação Leonardo Di Caprio, explicou, em entrevista, como o fundo observa a sua importância como articulador de alianças para melhorar a situação climática do planeta. Confira. 

Jorge Pinheiro Machado – Parece que estamos em um momento crucial na cruzada para mitigarmos as mudanças climáticas. Especialmente, por que a maioria dos americanos não acredita nisso. Você pensa que a maneira que os ativistas fizeram campanha faliu? Como reverter a situação?

Terry Tamminen – Uma recente pesquisa mostrou que 74% dos americanos acreditam que as mudanças climáticas são causadas pela interferência humana e que precisamos endereçar este ponto. A opinião popular está mudando. E os nossos líderes muito rapidamente seguirão a opinião pública e levarão mais a sério o tema. Especialmente porque as soluções são boas para a economia.

Um exemplo: na recente recessão americana, a economia da Califórnia cresceu enquanto o resto da nação decresceu, muito por conta do projeto de energia limpa e da eficiência energética em edifícios e casas, que deixaram os trabalhadores muito ocupados.

Com relação a campanha dos ativistas, acho que focaram muito nos problemas e não nas soluções, claramente boas para a economia e ao meio ambiente.

JPM – Estamos vendo a China bem comprometida para liderar a estratégia, a tecnologia e as finanças verdes. Isso pode trazer um bom balanço para o mundo?

“74% dos americanos acreditam que as mudanças climáticas são causadas pela interferência humana”

TT – O envolvimento da China em questões climáticas é muito bem-vindo, não somente por que é a segunda maior nação emissora de gases do efeito estufa, mas porque o governo central chinês pode ser mandatário de uma larga mudança na economia que pode ser mais rápida do que em outros países. A China tem rapidamente se tornado líder mundial na produção de energia limpa que, por exemplo, não ajuda somente a reduzir as emissões, mas também estimula a produção em massa de painéis solares e outras tecnologias, trazendo os custos para baixo até para que outros países em mesmo processo se beneficiem.

A administração Trump está falhando com a responsabilidade global, então é bom ver a China ocupando este espaço.

JPM – A Fundação Leonardo Di Caprio está trabalhando para implementar um fundo global para acelerar a implantação de projetos comprometidos com a economia de baixo carbono. Como funciona?

TT – A Fundação Leonardo Di Caprio, outras fundações e investidores institucionais trabalham na criação da Aliança de Compromisso, que deverá lançar seu fundo até o final do ano para providenciar o capital para esses esforços, incluindo as opções para pequenos investidores.

JPM – Este fundo estuda algum potencial investimento no Brasil?

TT – Nós pensamos que o Brasil é um dos melhores países para se investir no mundo, porque tem grande necessidade de energia e é uma economia em crescimento que pode liderar o mundo em projetos amigáveis ao clima. E também porque é um bom lugar para se fazer negócios, com empresas que têm conhecimento tecnológico, instituições financeiras e desenvolvedores de projetos que entendem o valor de ser verde.

É claro que também, como um dos países mais hospitaleiros e belos do mundo, quem não gostaria de ter uma boa desculpa para estar no Brasil sempre?

Jorge Pinheiro Machado - Diretor America Latina – Regions of Climate Actions – R20