Tudo. Você e eu também, somos  imigrantes. E pode ser que essa não seja uma consequência direta das missões europeias do século 16, mas de muito tempo atrás. Viajar em busca de novas oportunidades tem sido e é uma questão válida desde qualquer ponto de vista. É por isso que as busca por oportunidades, nas mãos de imigrantes, têm uma contribuição clara: conhecer e apreciar diferentes costumes, novas culturas, outras perspectivas e diferentes sabores em suas refeições. Neste fenômeno, que envolve a realidade local, surge a divergência de ideias, que é o principal motor da inovação, ou seja, descobrir que as mesmas coisas podem ser feitas de formas diferentes e com mais eficiência.

Por isso, o mais relevante do de imigração, pensando sobre o seus efeitos na inovação e no empreendedorismo, é que ele favorece o surgimento de novas ideias. É desta forma que se possibilita explorar o potencial do intercâmbio de conhecimentos, resultado da conversa diária entre os habitantes locais e os imigrantes, porque pouco vale a inserção de um grupo estrangeiro em outra sociedade se este fica isolado e não se integra para gerar uma sinergia cultural.

É importante que o imigrante seja mais um cidadão e que sua integração no âmbito trabalhista seja real. Hoje não há uma visão generosa e uma discussão sobre os aspectos negativos da imigração porque existe medo em relação ao que é diferente, desconhecido ou apresentado como novo. Devemos romper com a comodidade diária para deixar se sermos ultrapassados, rígidos, conservadores e racistas. Você reclama, por exemplo, a chegada de europeus ou americanos na sua cidade ou país?

O primeiro é entender que estes processos estão ocorrendo, já ocorreram e continuarão a ocorrer. Portanto, é urgente criar os incentivos necessários para regular esses fenômenos. A informalidade não favorece, gera lacunas de informação e uma atmosfera de instabilidade. Isso não motiva o capital humano a se somar ao aparato produtivo que move o Chile. Bastaria uma rápida verificação de antecedentes para regularizar a permanência no país, sobretudo quando é comprovada. Bastaria também eliminar benefícios para quem não cumprir obrigações adquiridas. É claro que existe um grupo importante que está disposto a formar parte da produção parte da produção formal local e que pode retribuir ao sistema com novas empresas, novos produtos e outras visões para a economia local.

Promover e regular a migração é um trabalho que deve conduzir ser conduzido pelo Estado, que como primeira medida, reconhecer a validade dos que buscam no Chile novas e melhores oportunidades. Não importa a nacionalidade. O que importa é ter condições de querer ficar e oferecer uma contribuição para o país, já que quando se discrimina em razão da origem, nada se ganha. As políticas para a integração, portanto, devem surgir e ser impulsionadas pelo poder público, começando com a definição e o estabelecimento de políticas para incentivar essa integração e fornecer recursos que favoreçam o intercâmbio cultural.

* Roberto Alfaro é diretor-geral da SCM Chile.